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20110913
20110515
SP-ARTE 2011
CASA TRIÂNGULO . SP-ARTE 2011 . LANÇAMENTO DE LIVROS [BOOK LAUNCH]
A Casa Triângulo tem o prazer de convidar para os lançamentos de livros que ocorrerão no espaço da Livraria da Travessa durante a SP-Arte:
[Casa Triângulo is pleased to invite for the book launchs happening at Livraria da Travessa during SP-Arte]
A Casa Triângulo tem o prazer de convidar para os lançamentos de livros que ocorrerão no espaço da Livraria da Travessa durante a SP-Arte:
[Casa Triângulo is pleased to invite for the book launchs happening at Livraria da Travessa during SP-Arte]
Sábado [Saturday] | 14.05.11
assume vivid astro focus | Lançamento de Livro [ Book Launch]
horário: 17:30 às 20:00hs
Local: SP-Arte | Livraria da Travessa| Pavilhão da Bienal | Parque do Ibirapuera
Domingo [Sunday] | 15.05.11
Tony Camargo | Lançamento de Livro [ Book Launch]
horário: 16:00 às 17:00hs
Local: SP-Arte | Livraria da Travessa| Pavilhão da Bienal | Parque do Ibirapuera
Albano Afonso | Lançamento de Livro [ Book Launch]
horário: 17:30 às 20:00hs
Local: SP-Arte | Livraria da Travessa| Pavilhão da Bienal | Parque do Ibirapuera
clique em cada imagem para ampliar!
20110506
VALDIRLEI DIAS NUNES
V. D. Nunes, Sem título (Relevos) - Antecedentes e predecessores.
Por A. Pedrosa.
A linha e o traço no desenho podem representar uma barra, um bastão, uma régua, um cano - ou tão somente uma linha ou um traço no papel. De maneira correlata, o cubo pintado ou desenhado é, também, uma caixa, um plinto ou um pedestal; uma pérola é, assim, uma esfera; um anel é, por fim, um círculo. Esses são os jogos aparentemente singelos da representação - em pintura, escultura, desenho.
Na última década, os trabalhos de Valdirlei Dias Nunes mapearam, de maneira especulativa e exaustiva, uma sucessão de possibilidades permutáveis entre abstração (invariavelmente do tipo geométrico) e figuração; entre pintura, desenho e escultura[1]. Vencer o aparente abismo que existe entre figuração e abstração frequentemente faz com que figuras geométricas - antes autônomas, abstratas, superiores, descoladas e isoladas do mundo - assumam feições mundanas. E, de fato, havia algo de melancólico na pintura de uma mesa ou pedestal finamente revestido de madeira, às vezes até com elaborados recortes construtivos, o veio da madeira executado com mão firme, porém reveladora do toque do punho do artista; todo esse esforço para não sustentar coisa alguma sobre sua superfície (diferentemente dos pequenos e preciosos objetos que os pedestais pintados contra os fundos negros dos anos 1990 de Nunes sempre sustentavam).
É a partir dessa trajetória que surgem, de modo coerente e preciso, os relevos de Nunes, que, portanto, devem ser compreendidos como situados no cruzamento entre os caminhos da pintura, da escultura e do desenho. O relevo é, aqui, síntese cabal da articulação e do diálogo entre diferentes meios, tratando de temas comuns, a partir de distintos ângulos, através de vários prismas. Nos relevos de Nunes, o traço, enfim, não é mais linha, nem listra, não é barra ou cano, seja pintado ou desenhado. Sem título (Relevos) consistem em paralelepípedos pintados de laca branca nos quais foram inseridas barras de latão dourado de maneira transversal e diagonal, rompendo a ortogonalidade da composição do quadro.
Alguns antecedentes mais distantes aos relevos de Nunes merecem nomeação, todos de vocação geométrica: Aluísio Carvão, Willys de Castro e Iran do Espírito Santo. No relevo de Carvão, Construção VI (1955, 85 x 59,5 cm), barras horizontais e verticais brancas cruzam-se sob um fundo branco; nos relevos de Espírito Santo, que a propósito levam títulos próximos ao de Nunes (2001, 50 x 40 x 4 cm), a matéria é alumínio, e linhas ortogonais cruzam outras diagonais. Nos Objetos ativos de De Castro (1959-1961), a barra encontra-se autônoma, descolada do plano, e, portanto, assume sua vocação tridimensional, ainda que com superfícies pictóricas.
Os relevos de Nunes evocam também Mira Schendel. Pensamos nos Sarrafos, a última série da artista, feita em 1987, um ano antes de sua morte. Vale recordar as palavras de Souza Dias, que podem ser aplicadas, mutatis mutandis, a Nunes:
Com os sarrafos, a artista retomava pontos de sua própria trajetória, ao concentrar, num mesmo objeto, desenho, pintura e escultura, estabelecendo, a partir deles, uma nova orientação para a análise de sua obra. Com a pintura, enquanto meio e suporte, Mira transforma a linha em escultura. O percurso de formalização anguloso dessas ripas negras que se libertam do plano pictórico transmite-nos uma ação enérgica, porém cuidadosamente planejada.[2]
O negro dos Sarrafos de Schendel verte-se em ouro em Nunes, remetendo a referência à artista a outra série, às pinturas com têmpera feitas alguns anos antes: por exemplo, Sem título (1995, 89 x 159 cm) consiste numa grande superfície branca ocupada apenas por um pequeno triângulo em folha de ouro, situado no canto superior direito do quadro. Tanto em Nunes quanto em Schendel, vemos o contraste entre o vasto território branco e o pequeno fragmento ou fina fatia dourada. Tanto num quanto noutro, o puro minimalismo é impugnado pelo ouro. Neste momento, é preciso lembrar Leonilson, um artista mais próximo de Nunes, que por sua vez também usava o ouro na contracorrente do minimalismo. Seu A.P. (1991, 210 x 147 cm), por exemplo, consiste em dois retângulos de voile branco sem chassis, pendurados na parede lado a lado, com as bordas laterais e inferiores pintadas de ouro - a vasta superfície branca, transparente, tão leve que o vento a faz tremular, enquadrada por uma tinta dourada que macula seu despojamento.
O precioso ouro é a mais contaminada e mundana das cores, é o grão antiascético de qualquer narrativa. Afinal, não nos esqueçamos dos antecedentes fortemente figurativos de Nunes: o relevo aqui também é o retrato da lâmina, da espada, da flecha, da faca, da navalha e da agulha - ainda que de ouro e escamoteada em barra.
[1] Em 2001, eu escrevia sobre as então recentes pinturas de Nunes: "Seu realismo e representação sem rodeios agora jogam com abstração geométrica e minimalismo, tomando como objeto a representação de finas e sutis linhas, barras, listras, caixas, cubos, pedestais e quadrados, pintados em branco, ouro, marrom, contra um refinado pano de fundo branco". In "A pintura roubada/The Stolen Painting". Trans>arts.cultures.media, n. 9-10, Nova York e São Paulo, 2001, p. 292.
[2] Geraldo Souza Dias, Mira Schendel: Do espiritual à corporeidade. São Paulo: Cosac Naify, 2009, p. 323.
20110224
MAURO CERQUEIRA E NUNO SOUSA VIEIRA
CASA TRIÂNGULO
ABERTURA [OPENING]
sem pé
mauro cerqueira e nuno sousa vieira
De 22 de fevereiro a 12 de março de 2011, a galeria Casa Triângulo tem o prazer de apresentar a primeira mostra individual no Brasil dos artistas portugueses Mauro Cerqueira e Nuno Sousa Vieira, intitulada Sem Pé.
A exposição é a etapa final de uma residência dos jovens artistas portugueses no Ateliê Fidalga, a convite de Albano Afonso e Sandra Cinto.
Apresentados conjuntamente, os trabalhos de Mauro Cerqueira e de Nuno Sousa Vieira revelam algumas características e questões comuns, ainda que partindo de premissas e procedimentos bem distintos. Preocupações com a produção artística, fabril e arquitetônica, e particularmente com o excesso de produção, com os participantes e executantes desta produção (como o visitante da galeria, o operário ou o habitante da cidade) e especialmente com o abandono e a obsolescência a que se condenam determinadas estruturas e profissionais, os seus trabalhos revelam e exploram a tensão, fragilidade e precariedade da sociedade atual.
Os artistas também estão em cartaz com a mostra intitulada Pé Esquerdo, na Galeria Nuno Centeno, Porto/Portugal.
Mauro Cerqueira (Guimarães/Portugal, 1982. Vive e trabalha no Porto/Portugal).
Exposições individuais: Pé Esquerdo (com Nuno Sousa Vieira), Galeria Nuno Centeno, Porto/Portugal (em 2011); Serin e as Trepadeiras, Laboratório das Artes, Guimarães/Portugal; Engoliu a Espinha e Foi Operado Para o Poderem Enforcar no Dia Seguinte, curador: Adriano Pedrosa, Solo Projects - Arco Art Fair, Madrid/Espanha e Jim, Galeria Graça Brandão, Lisboa/Portugal (em 2010); Sua Boca, Aberta Para Gritar, Estava Cheia de Terra, Kunsthalle Lissabon, Lisboa/Portugal (em 2009)
Nuno Sousa Vieira (Leiria/Portugal, 1971. Vive e trabalha em Leiria e Lisboa/Portugal).
Exposições individuais: Pé Esquerdo(com Mauro Cerqueira), Galeria Nuno Centeno, Porto/Portugal (em 2011); Galeria Graça Brandão, Lisboa/Portugal; Haben Gegenstände ein Gedächtnis, Deutschlandpremieren, Quadriennale de Dusseldorf 2010, Hans Mayer Gallery, Dusseldorf/Alemanha; Newlyn Art Gallery, Don't Underestimate the Impact of the Workplace, (curadoria de MA Curatorial Practice, na University College Falmouth), Newlyn, Inglaterra; Solo Project - Arco 2010, PT, Posto de transformação, (curadoria de Jacopo Crivelli Visconti), Madrid/Espanha (em 2010); Kunsthalle Lissabon, X-Office for a Sculpture (curadoria de João Mourão e Luís Silva), Lisboa/Portugal; Carpe Diem, Chão Morto, (curadoria de Paulo Reis), Lisboa/Portugal; To Draw An Escape Plan, Galeria Graça Brandão, Lisboa/Portugal (em 2009).
[English version]
sem pé
mauro cerqueira e nuno sousa vieira
From February 22 to March 12, 2011, Casa Triângulo is pleased to present the first solo show in Brazil by the Portuguese artists Mauro Cerqueira and Nuno Sousa Vieira, entitled "Sem Pé".
The exhibition is the final step of a residence at Ateliê Fidalga, invited by Albano Afonso and Sandra Cinto.
Presented together, the works of Mauro Cerqueira and Nuno Sousa Vieira share some characteristics and common issues, albeit coming from very different assumptions and procedures. Concerns about the artistic production, manufacturing and architecture, and particularly with the over-production, the participants and performers in this production (as the visitor's gallery, the worker or the inhabitant of the city) and especially with the abandonment and obsolescence that certain structures and professionals are condemned, their works reveal and explore the tension, fragility and precariousness of contemporary society.
The artists are also on show at the exhibition titled "Pé Esquerdo" at Galeria Nuno Centeno, Oporto / Portugal.
Mauro Cerqueira (Guimarães/Portugal, 1982. Lives and works in Oporto/Portugal).
Individual Exhibitions: Pé Esquerdo (with Nuno Sousa Vieira), Galeria Nuno Centeno, Oporto/Portugal (2011); Serin e as Trepadeiras, Laboratório das Artes, Guimarães/Portugal; Engoliu a Espinha e Foi Operado Para o Poderem Enforcar no Dia Seguinte, curator: Adriano Pedrosa, Solo Projects - Arco Art Fair, Madrid/Espanha e Jim, Galeria Graça Brandão, Lisbon/Portugal (2010); Sua Boca, Aberta Para Gritar, Estava Cheia de Terra, Kunsthalle Lissabon, Lisbon/Portugal (2009)
Nuno Sousa Vieira (Leiria/Portugal, 1971. Lives and works in Leiria and Lisbon/Portugal).
Individual Exhibitions: Pé Esquerdo(with Mauro Cerqueira), Galeria Nuno Centeno, Oporto/Portugal (2011); Galeria Graça Brandão, Lisbon/Portugal; Haben Gegenstände ein Gedächtnis, Deutschlandpremieren, Quadriennale de Dusseldorf 2010, Hans Mayer Gallery, Dusseldorf/Germany; Newlyn Art Gallery, Don't Underestimate the Impact of the Workplace, (curated by MA Curatorial Practice, at University College Falmouth), Newlyn, England; Solo Project - Arco 2010, PT, Posto de transformação, (curated by Jacopo Crivelli Visconti), Madrid/Spain (2010); Kunsthalle Lissabon, X-Office for a Sculpture (curated by João Mourão e Luís Silva), Lisbon/Portugal; Carpe Diem, Chão Morto, (curated by Paulo Reis), Lisbon/Portugal; To Draw An Escape Plan, Galeria Graça Brandão, Lisbon/Portugal (2009).
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