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20111110

SEGURO DE CARRO

via: a. guirado

Vocês sabem que hoje em dia o seguro de um automóvel é indispensável. Não podemos deixar nem Uno de nossos Benz a Mercedes desses ladrões que fazem a Fiesta nessa Honda de assaltos! A Marea está Brava! Quem não segura o seu automóvel, pode se Ferrari e depois só GM pelos cantos ou fica a Ranger os dentes e a Courier de um lado para outro, vigiando a Strada e perguntando: '- Kadett meu carro?' Faz a maior Siena e fica Palio de nervoso! Aí, vai rezar um terço para Santana ajudar... Mas isto não Elba stante para ter seu carro de volta! 

Seguro é o Tipo de negocio difícil, Mazda para resolver, sem ficar com cara de Besta no final! O seguro é um Prêmio para quem o faz! Tempra todo veículo. Tem Parati também. E, na hora de fazer o seguro do seu carro, pense nas Variant es... Afinal Quantum mais opções, melhor! Você vai ver que o nosso seguro é legal as Pampa ... Por isso, ele o Fusca os demais, e vai marcar um Gol na hora do Accordo! Não deixe o prazo Passat!... Monza obra! Venha Logus! Estamos Kombi nados??? Espero seu contato... Visite nossa agência e se Accente a frente do Galant, que é o nosso gerente!

Só não se esqueça de levar o Stratus de seu banco e colocar um Blazer bem bonito, parecendo um Diplomata de Classe A. Mas, não deixe de olhar todos os Topic do contrato... Somos bem melhores Kia concorrência e se você perder esta Xantia, vai se Corsa todo de raiva, o Ka?

Com nosso seguro, você pode passar um Weekend tranqüilo, fazendo um Céu pela praia de Ipanema que, se roubarem seu carro, mesmo que seja em dia de Eclipse, você não terá problema... Temos nossa Suprema garantia de pagamento em prazo recorde!!! Não precisa D20 dias, como outros que tem por aí... Hoje mesmo estamos pagando um seguro de um roubo que ocorreu A10 dias, S10se, nós pagaríamos antes até!!!

Você pode estar em qualquer lugar, de um Polo ao outro, que nós damos a assistência que precisar !!!
E só Scaniaar os documentos e mandar por e-mail mesmo!
Faça seguro! É Clarus que é bom!
Boa Voyage e Pointer final.

Observacão: Se você achou este texto interessante, Cherokee e Mondeo para seus amigos...
Não é uma boa IdeaCelta mente é...
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20110222

COLOMBO ERA SOLTEIRO!





✉ Luciana Nicolodi

Está comprovado: a América só foi descoberta porque Colombo era solteiro. Recentes pesquisas científicas comprovam que Colombo só descobriu a América porque era solteiro. Se ele fosse casado seria obrigado a ouvir os seguintes comentários e teria desistido:
- E por que é que você tem que ir? Por que não mandam outro?
- Você não conhece nem a minha família e quer ir descobrir outro mundo?
- E só vai homem nessa viagem? Acha que sou idiota?
- E por que eu não posso ir, se você é o chefe?
- Desgraçado, não sabe mais o que inventar pra sair de casa?
- Se cruzar esta porta, eu vou embora para a casa da minha mãe!
- Quem é Pinta? E quem é essa tal de Nina? E essa Maria, filha da p., que ainda se diz Santa?
- Tinha tudo planejado, né?
- Já me disseram que você vai mesmo é se encontrar com umas índias! Pensa que me engana?
- A rainha Isabel vai vender suas joias para você viajar? Acha que sou idiota ou o quê? O que é que você tem com essa piranha velha?
- Pode tirar seu cavalinho da chuva. Você não vai a lugar nenhum!
- Você vai é cair num barranco, por que o mundo é achatado, sua besta!!!
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20100606

A brasilização do mundo

por: Fernando Eichenberg*

O sociólogo italiano Giuliano da Empoli viajou ao Brasil pela primeira vez no verão europeu de 2001, por razões do coração. Embarcou atrás de sua então namorada italiana. A relação amorosa não vingou, mas o país lhe deu uma singular inspiração intelectual. Em oposição aos que dizem que o mundo se americaniza, o jovem pensador, 34 anos, conselheiro do ministro da Cultura italiano, apresenta uma outra tese: as sociedades modernas vivem um processo de "brasilização". Para ele, o Brasil é um "espelho alegórico" do mundo contemporâneo.

Giuliano da Empoli deverá desembarcar agora no final do mês de maio no Brasil para promover o lançamento de seu livro Hedonismo e medo: nosso futuro brasileiro (ed. Sulina). Está prevista uma conferência do autor na ESPM, em São Paulo. Recentemente, ele esteve em Paris como principal convidado de um debate sobre o tema da "brasilização" do mundo, nos encontros promovidos pelo filósofo Michel Maffesoli. Na manhã seguinte ao evento, conversamos longamente sentados à mesa no Café de Flore, no bairro Saint-Germain des Près, em uma entrevista feita para a revista ÉPOCA (n° 464/abril).

Giuliano da Empoli sustenta que no Brasil convivem desde há muito tempo dois pólos que emergem em outros países: o Carnavalesco e o trágico. Segundo ele, a experiência brasileira do hedonismo e da tragédia se repete em diferentes nuanças em outros sociedades do planeta, nos mais diferentes domínios, do político ao cultural, do religioso ao social. Ele critica os que se apegam ao um racionalismo exagerado e ultrapassado, priorizam a peste e o medo e ignoram a orgia, a celebração e o supérfluo. Os dois pólos, diz, se atraem e se reforçam, e quem quiser entender os tempos modernos terá de estar atento ao que ocorre no Brasil. O mundo começa a dançar no ritmo do samba, diz Giuliano da Empoli. Para o melhor e para o pior.

Reproduzo aqui a íntegra de nossa conversa.

Por que o Brasil é um "espelho alegórico" do mundo? 
Utilizo o Brasil como uma metáfora. A americanização é um influência direta dos EUA na cultura, já a brasilização é uma metáfora para descrever algo que se passa além da influência direta do Brasil no mundo. Creio que é uma metáfora que faz uma boa síntese, fornece chaves de interpretação do mundo e permite compreender muitas coisas ao redor. Cresci nos anos 1990, e a retórica na época era o fim da história, a racionalidade, a globalização, os mercados: "Tudo é racional e vai ser mais ou menos governado pelo mesmo sistema, a tecnologia vai nos unir e nos fazer comunicar de forma instantânea, o mundo será um Silicon Valley". Mas não é o que vemos. O 11 de setembro foi ao mesmo tempo um acontecimento e uma revelação, um símbolo de uma transformação. Creio que em vez de irmos para uma cultura hiper-racional, hipertecnocrática e do hipermercado, estamos seguindo, sobretudo, para uma dimensão mais brasileira. Uma dimensão em que há esse pólo de Carnaval, do hedonismo, do prazer do corpo, da sensibilidade e também um conflito em todos os níveis que é epidêmico, que não é a guerra tradicional, mas que entra em nossas vidas de forma muito mais íntima, pessoal e imediata, e que atinge todo o mundo, não apenas os soldados que vão para a guerra. Não é somente a violência, mas a insegurança, a flexibilidade do trabalho, algo bastante pessoal. E é por isso que acredito que o Brasil é uma boa imagem, um espelho alegórico para essa realidade.

Como a sociedade brasileira pode explicar o que ocorre no mundo? 
Há dinâmicas que fazem parte da vida brasileira já há muitos anos e que têm tendência a se generalizar. Há muitas coisas que foram antecipadas no Brasil de forma fascinante. Todo esse pólo de hedonismo, de culto do corpo, se você vê os dados sobre a cirurgia estética é um boom mundial, e isso já existia no Brasil desde muito antes. Botafogo, no Rio, é a capital mundial da cirurgia estética. Não é algo muito importante, mas é toda uma simbologia. Se diz que a Rede Globo é a quarta maior televisão do mundo, depois de três grupos americanos. É também interessante ver a forma e o papel que uma cultura da imagem teve na evolução da cultura popular brasileira. O formato das telenovelas é um produto global, que conquistou todo o mundo, partindo exatamente de um país que não tem o poder econômico dos EUA. Tudo o que os EUA produzirem terá, evidentemente, um impacto global. Mas o Brasil produziu muitas coisas influentes - e a música é um outro exemplo - sem ter essa força econômica por trás. E há todo o discurso de mestiçagem, que hoje é um grande debate em todo o Ocidente. O Brasil afrontou isso bastante cedo. A coincidência da ascensão de Hitler ao poder na Alemanha, em 1933, e da publicação, no mesmo ano, no Brasil, do livro Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freyre, que fala da influência do negro na identidade brasileira, me surpreendeu também. Há antecipações fascinantes, mesmo nos aspectos negativos. A China, que ainda é uma ditadura, tem uma boa relação com Rudolph Murdoch (australiano magnata da mídia americana), porque ele está fazendo a tevê de entertainment no país. A ditadura no Brasil nos anos 1970 fez isso também. O culto do prazer, do hedonismo, do instante, do futebol, tudo isso teve também uma função de controle social, e que se generaliza também na Europa. Veja o modelo social francês, a mobilidade social, começa a se tornar um modelo brasileiro. O modelo tradicional, tecnocrático, da ENA (Escola Nacional de Administração, que forma os dirigentes franceses), está bloqueado. Não há mais mistura social. A meritocracia racional francesa não funciona mais. Onde você tem verdadeiras possibilidades de ascensão social? Nos reality shows, no futebol, na música. É nesse tipo de cultura que se vê uma verdadeira mistura social: alguém que sai de baixo e pode se tornar uma estrela e fazer parte da elite. Isso também é um modelo brasileiro.

Mas esses que saem do nada para se tornar celebridades não são casos excepcionais e individuais? 
Creio que a nova elite na Europa e nos EUA é cada vez mais isso. Todo mundo quer ser isso. Não estou falando de classe dirigente, isso é outra coisa. Mas é algo que faz todo mundo sonhar, todos querem alcançar isso. Na Itália, numa pesquisa recente foi perguntado a jovens entre 18 e 25 anos o que eles mais desejavam, e a maioria respondeu: "Aparecer na tevê". Acho que isso é sinal de algo.

Você diz que o Brasil já vive há muito o "medo endêmico" que passou a vigorar no mundo após os atentados de 11 de setembro nos EUA. 
Acho isso surpreendente. Essa idéia de que o Brasil não vive uma guerra há 140 anos, mas que está em guerra consigo mesmo, uma guerra intestina - só em 2003 houve 50 mil mortes violentas -, é uma idéia que se também se generaliza. Pode-se fazer de conta que não é assim. Bush combate outros países ainda num esquema clássico. Mas não é mais assim. Nesse caso também é um paradigma brasileiro. O exército não serve mais para nada nesse ponto de vista. Por outro lado, estamos aqui no Café de Flore e não vivemos no terror. Mas, ainda assim, estamos expostos como os soldados. Se essa nova guerra é um novo paradigma, todo mundo está no mesmo plano, os adultos, as crianças.

Você aponta nossa época como a do fim da infância protegida. É também uma comparação brasileira? 
Desde o século 19 se tentou proteger as crianças, fazer delas uma categoria diferente. O que ajudou muito isso foi a cultura, a civilidade tipográfica. Se a informação circula nos livros, em documentos, você pode proteger a criança, principalmente da violência e do sexo. Esse acesso será negado a elas. A criança descobre isso de forma gradual, à medida que vai crescendo. Hoje, isso não é mais possível, porque a informação circula por imagens, pela internet, pela tevê. Não se pode mais proteger as crianças. É o contrário: uma criança é mesmo mais capaz do que muitos adultos de descobrir coisas na internet. A infância como condição protegida acabou. Simbolicamente, do ponto de vista cultural, as crianças estão expostas como todo mundo. A condição da criança aqui, obviamente, é menos difícil do que no Brasil, nas favelas. Mas há essa condição de não se ter mais proteção, de a criança ser jogada na rua. Aqui de forma metafórica e no Brasil de forma física.

Para você, somos todos um pouco cariocas, e o Rio de Janeiro é uma cidade entre Miami e Calcutá. 
Estamos na França e é o lugar mais fácil para falar disso. Aqui também cada vez mais vemos guetos que por vezes explodem e são colocados sob controle. São lugares protegidos. Mesmo Paris Plage (a praia artificial à beira do rio Sena, no verão parisiense) é um local completamente protegido pela polícia, vigiado. Se fez muitas pesquisas sobre o paralelo entre Los Angeles e São Paulo e o fato de que o espaço público diminuía em detrimento do aumento de espaços privados, sejam espaços privilegiados, como shoppings, ou condomínios fechados, como o fenômeno americano dos gated communities. Creio que 30% da construção de novas moradias nos EUA correspondem a condomínios fechados. E, por outro lado, temos guetos inacessíveis. Na Europa isso se vê menos, mas o caso francês prova que isso existe também aqui. E cada vez mais.

Na sociedade brasilizada a pornografia desaparece. Como? 
A pornografia não existe mais. Está dissolvida na cultura comum. Há uma frase que diz que a verdadeira pornografia, hoje, é o amor. Isso também é algo bastante presente, mesmo na cultura política. Tivemos agora na Itália um escândalo envolvendo um político, que foi fotografado enquanto procurava um transexual na calçada. Há quinze anos isso não estaria nos jornais. O componente da busca pela sensação se tornou muito mais forte por todo o lugar. Procura-se fazer crer às pessoas que este café que bebo não é simplesmente um café, mas um mundo de experiências. E isso está também bastante ligado à televisão, à imagem.

Segundo sua teoria, o Carnaval e a tragédia, o medo e o hedonismo, a peste e a orgia são pólos que se atraem e se reforçam entre si. Como funciona isso? 
São pólos que se reforçam mutuamente. Há uma bela crônica de Daniel Defoe, autor de Robinson Crusoé, sobre a peste em Londres, e que fala das pessoas que morrem numa casa e, ao lado, há uma enorme orgia. A perspectiva da morte leva a viver e a apreciar o instante de todas as formas possíveis. Mas, ao mesmo tempo, a orgia não é uma remédio contra a peste. Os dois lados se reforçam, é um circuito. Houve muita polêmica nos EUA porque os jornais só falavam do caso de Anna Nicole Smith (ex-coelhinha da Playboy, viúva de um bilionário, morta em fevereiro). Li vários artigos que se perguntavam: será possível que num país que está em guerra só se fala disso há semanas?. Obviamente que é possível. Mais do que possível, é natural, pois são coisas que caminham juntas.

Você também assinala o aspecto fatalista no espírito brasileiro.
Na cultura afro-brasileira há esse componente muito presente de predestinação, de fatalismo. Há muitos aspectos que falam de um destino que deve ser aceito de alguma forma. É outro aspecto interessante em relação ao Brasil e que também vemos um pouco por todo o lado. No século 20 não se acreditou na predestinação. Havia o comunismo que dizia que se podia criar um mundo melhor e, por outro lado, Freud que falava da formação na infância e da educação como fatores determinantes. Hoje, a ciência diz que são os genes que determinam tudo. A predestinação é quase absoluta. Tudo já está inscrito em nossos genes. Há um certo fatalismo nisso. Em nível popular há esse retorno de crenças de todo tipo. A astrologia e a idéia de que seu futuro está inscrito nas estrelas. Há esse outro elemento muito forte da cultura e da religiosidade brasileiras que é o sincretismo. Aqui, hoje, as pessoas continuam a ser batizadas católicas quando nascem, mas ninguém é mais católico, todo mundo é sincrético de uma forma ou de outra. Minha namorada vem me pegar aqui daqui a pouco, ela é católica, mas ela crê um pouco em tudo. Ela conhece a astrologia, as religiões orientais. E isso faz muito parte da cultura religiosa brasileira. As ideologias nunca tiveram realmente uma influência coletiva sobre o Brasil. Sempre houve essa adesão ao presente, à realidade, em todos os seus aspectos. Há a celebração, o prazer, e também, em relação aos aspectos dramáticos, uma passividade, uma resignação, um fatalismo.

Você define o Iluminismo como uma ideologia elitista e caduca e diz que o futuro é a batucada brasileira.
Há um verdadeiro problema das elites culturais e políticas. Há essa tendência - especialmente à esquerda, mas não somente na esquerda - de olhar para tudo isso, sobretudo para o pólo do Carnaval, como uma degeneração. Aqui na França há muito desse espírito de repugnância em relação a isso, ao fato de que todo mundo quer aparecer na tevê, quer seu momento de celebridade e todo o resto. Na minha opinião, isso reflete, sobretudo, um orgulho ferido. Há uma reivindicação de que só as elites podem aparecer na tevê, uma coisa de corporação um tanto ridícula. Há um exemplo histórico que sempre me impressionou, do imperador persa Xerxes. Ele perde a batalha de Salamina contra os gregos e depois ordena aos seus escravos açoitar o mar. Ele estava furioso contra o mar porque perdeu a batalha naval. Isso quer dizer o quê? Que se a sociedade evolui de uma certa forma é preciso tentar entender o que está ocorrendo, e se você tem idéias e convicções pode tentar fazer algo. Mas açoitar o mar não serve para nada. As pessoas que velejam sabem que não podem navegar contra o vento. É preciso interpretar o vento. Percebo a brasilização um pouco como o vento. É preciso analisar e, segundo suas convicções, tentar fazer algo numa direção mais do que em outra. Mas de nada serve negar o vento.

Você acusa o "intelectual progressista" de ser intolerante com o pólo Carnavalesco e indulgente com o pólo trágico, como nas questões do terrorismo internacional e da criminalidade urbana.
Em relação ao Carnaval, é verdade que a herança da Escola de Frankfurt é bastante forte. Dizer que todo o divertimento, toda celebração do momento presente, do espetáculo é uma forma de alienação que distrai do verdadeiro objetivo que é fazer a revolução e mudar a sociedade é algo, na minha opinião, de muitas contra-indicações, não é verdadeiro. Dizer que o Carnaval não é mais do que alienação e manipulação por parte do poder não é toda a história. Há um verdadeiro prazer, uma verdadeira adesão, um verdadeiro desejo por parte de todo o mundo de gozar o instante. Não se pode reduzir tudo a uma questão de manipulação. E em relação ao trágico, acredito que a esquerda teve uma evolução em alguns países. Parte do sucesso de Tony Blair se deu quando, antes de se tornar líder do Partido dos Trabalhadores da Inglaterra, pregou a política "duro contra o crime, duro contra as causas do crime". A política tradicional da esquerda é a de ser dura contra as causas do crime, porque são causas sociais, tem a injustiça e é preciso se ter um pouco de compaixão em relação ao criminoso porque deriva disso. Blair mudou isso, porque compreendeu algo muito importante, que o crime atinge, sobretudo, as pessoas pobres. Se você mora num condomínio fechado e circula num carro blindado o crime é muito menos ameaçador do que se morar num bairro difícil, em que há criminalidade por tudo. A abordagem sociológica é necessária, mas é preciso uma certa dureza para com os criminosos. No Brasil, às vezes é difícil, pois se chega até aos esquadrões da morte. Obviamente que não se trata disso. Mas acredito que há uma questão política por trás disso.

Por que o ex-premiê italiano Silvio Berlusconi foi, segundo você, um excelente intérprete da brasilização no plano político?
Poderia-se fazer comparações nesse sentido com Fernando Collor de Mello, por exemplo. Mas Berlusconi é o resultado da política brasilizada. É o pólo do Carnaval. Ele criou a televisão comercial na Itália. Ele mudou a forma de fazer televisão no país. Ele comprou uma das maiores equipes de futebol da Itália, o Milan, e se tornou seu patrão. Ele é o símbolo de tudo isso, dessa Carnavalização. Ele é o homem mais rico da Itália, é um formidável consumidor, o que faz parte também do Carnaval. É o único político italiano que encarna esse pólo Carnavalesco. Os outros são apenas políticos normais. No plano internacional, seguiu Bush em tudo, de uma forma catastrófica. Foi um dos poucos chefes de Estado europeus que esteve no Iraque. Ele encarna muito bem o aspecto político dessa brasilização. Pessoalmente, não concordo, mas é preciso reconhecer que ele foi genial nesse ponto de vista. E as elites políticas e intelectuais permanecem sempre surpresas diante do fenômeno Berlusconi. Ele foi visto como um tipo de Mussolini que manipulava e controlava todo mundo e que chegou ao poder só porque detinha a mídia. Não é simples assim, é algo mais complexo. É algo integrante da sociedade italiana, de todos esses pólos que falei, e aos quais Berlusconi soube responder de forma brilhante. Berlusconi ganhou as eleições em 1994 e, depois, perdeu em 1996. Em 1996, ele tinha o controle total da televisão, pois tinhas suas tevês privadas e controlava também as tevês públicas, muito importantes na Itália, e perdeu as eleições. Em 2001, ele não tinha mais o controle completo, pois a esquerda estava no poder, e ganhou as eleições. Não é algo automático. É mais complexo do que isso.

Em resumo, é preciso levar a sério a cultura do prazer, o frívolo, o supérfluo e o banal?
É extremamente importante que vejamos tudo isso ao redor. O supérfluo, o luxo, a televisão, o espetáculo, a celebridade, o prazer, o culto do corpo, os cosméticos, a beleza, tudo isso é tão importante e central na vida de nossas sociedades hoje. E continuar a tratar isso como um pequeno aspecto, uma degeneração, sobre a qual não se deve falar porque não é importante, é um erro, significa que não entendemos o que se passa ao nosso redor. No mundo da mídia, há a informação que passa por meio dos canais tradicionais dos telejornais e programas sérios e todo o resto, e também os programas de espetáculo, de shows, a comédia ou a sátira. Em termos de audiência há uma enorme diferença. Estudos americanos falam das old news (velhas notícias), os telejornais, e as new news (novas notícias), como o programa de Jay Leno (comediante americano que faz um talk-show na rede NBC). Na Itália, o programa de maior audiência nos últimos dez anos é exibido logo depois do telejornal das 20h. São dez minutos de sátira com dois comediantes e duas dançarinas seminuas. Eles falam também de política, mas de uma forma sempre cômica. Não é informação, é espetáculo, mas, ao mesmo tempo é o programa por meio do qual a maior parte do público na Itália se informa. Não podemos fazer de conta que não é assim. Não se pode pensar que são os intelectuais que escrevem colunas nos jornais de reflexão que promovem o debate.

Você se define como um niilista ativo.
Gosto dessa definição. Há uma parte de análise realista, de olhar realmente para o que acontece ao redor e não tentar fazer a realidade se adaptar aos esquemas teóricos. Mas isso também não quer dizer que não podemos fazer nada. Eu não sou apolítico. A política me interessa, mas partindo de uma análise um pouco niilista.

O mundo começa a dançar no ritmo do samba, como você diz?
Acho que nossas sociedades começaram a dançar no ritmo do samba, e que isso não vai parar, e vai mesmo continuar cada vez mais.


*Fernando Eichenberg, jornalista, vive há dez anos em Paris, de onde colabora para diversos veículos jornalísticos brasileiros, e é autor do livro "Entre Aspas - diálogos contemporâneos", uma coletânea de entrevistas com 27 personalidades européias.

Terra Magazine

20100317

O fundo da folia

por Fabiano Barretto









"Dez dias após o carnaval, resolvi mergulhar com dois amigos na área do Farol da Barra para confirmar a notícia de que havia uma quantidade absurda de lixo espalhada pelo fundo do mar naquela área.

Mesmo com a água um pouco suja por causa das chuvas do dia anterior, logo identificamos o local. Na verdade o lixo não estava espalhado, mas concentrado em um canal provavelmente em razão do movimento das marés. Uma cena lamentável! Eram pelo menos mil e quinhentas latinhas metálicas e garrafas plásticas.

Da superfície o visual parecia com as imagens áreas que vemos dos blocos de carnaval durante a festa momesca. Só que ao invés de estarem pulando, dançando e se beijando ao som frenético e ensurdecedor dos trios elétricos, os foliões do fundo do mar estavam rolando de um lado para o outro numa mórbida coreografia, empurrados silenciosamente pelo balanço do mar, sem dança, sem alegria, sem vida e sem poesia.

Assustados, decidimos não retirar o material naquele dia na esperança de tentar sensibilizar algum veículo de comunicação para fazer uma matéria com imagens subaquáticas. A intenção era compartilhar aquela agressão carnavalesca com nossa população e os donos da folia.

Fizemos contato com pelo menos três emissoras e todas pediram que enviássemos e-mails com fotos, o que fizemos imediatamente. Aguardamos respostas por dois dias e como não tivemos qualquer retorno, optamos por retirar o lixão de lá para evitar maiores danos.

A bem da verdade estávamos super desconfortáveis com nossas consciências por termos testemunhado aquela cena e deixado para resolver o problema dias após. Mas tínhamos que tentar a matéria para que a ação não se resumisse somente à coleta do material.

Tínhamos em mente que a repercussão sensibilizaria os empresários e artistas do carnaval, os órgão públicos, a imprensa, as empresas financiadoras e nossa gente. A tentativa foi boa, mas não rolou…

Fomos então, no terceiro dia após o primeiro mergulho, retirar o material. Antes, porém, fiz questão de chamar um amigo que tem uma caixa estanque para filmarmos a ação e guardarmos o documentário visando trabalhos futuros e até mesmo a matéria que queríamos na TV.

Sem cilindro de ar e contando apenas com duas pranchas de SUP (Stand Up Paddle) e alguns sacos grandes, éramos quatro mergulhadores ousados retirando do fundo do mar tudo o que podíamos naquela tarde.

Pouco antes de o sol se pôr conseguimos finalmente colocar todo o lixo na calçada. Muitos curiosos, inclusive turistas, olhavam intrigados a nossa atitude e a todo o instante nos questionavam sobre a origem daquele resíduo. A resposta estava na ponta da língua: Carnaval!

Vou logo informando aos amigos leitores que não sou contra o carnaval, muito pelo contrário, sou fã por diversos motivos, mas acho que a realidade da festa não guarda a menor relação com as belíssimas cenas, as informações rasgadas de elogios e a excessiva euforia amplamente divulgada pela mídia.

Sei que o comprometimento com os patrocinadores e aquela velha guerrinha de vaidades contra os carnavais de outros estados como Pernambuco e Rio de Janeiro, acabam conspirando para isso. Mas vejo aí um modelo cansado, super dimensionado, sem inovações socialmente positivas e remando na direção oposta ao desenvolvimento sustentável da nossa cidade.

Aquele lixo submarino é um pequeno sinal deste retrocesso. Pior, patrocinado solidariamente pelos grandes empresários, artistas e principalmente pelo poder público que tem o dever de melhorar nossa segurança, nossa saúde e educação.

Aproveito o embalo para incluir indignação semelhante sobre os eventos realizados na praia do Porto da Barra durante o verão. O “Música no Porto” e o “Espicha Verão” não tem trazido nada de bom para nossa cidade, além da oportunidade de vermos ótimos artistas de perto e de graça. De resto, o lixo, o mau cheiro, a degradação ambiental, o xixi pelas ruas, a impressionante quantidade de ambulantes amontoados por todos os espaços públicos e a agressão aos patrimônios históricos, são um grande “pé na bunda” do turista de qualidade.

É o mesmo que olhar para uma bela maçã com a casca brilhante e aspecto suculento, porém, apodrecida por dentro… Naquele final de tarde acabamos contemplando um por do sol diferente. O monte de lixo empilhado na calçada do Farol da Barra virou atração. E como Deus é grande, fomos brindados com a presença de valorosos catadores de rua para finalizar a limpeza.

Desta ação, além das ótimas imagens documentadas em vídeo, resta rezar para que os donos do carnaval, dos eventos no Porto da Barra e nossos queridos foliões se toquem que algo tem que mudar. O fundo do mar não merece aquele bloco reluzente e, ao contrário do asfalto, o oceano costuma revidar violentamente as agressões sofridas. Não tem alegria alguma no fundo da folia!"

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20100204

Eterno Carnaval

Eu vou brincar
O ano inteiro neste carnaval
Eu vou entrar nesta bagunça
E não me leve a mal
Eu vou, eu vou
Eu vou brincar
O ano inteiro neste carnaval
Não vou deixar que a cinza venha
E suje o meu quintal
Eu abro a boca
E fico rindo à toa
Essa é muito boa
Hoje eu tou legal
Só peço a Deus
Que não me leve agora
Ontem, hoje, sempre
Eterno Carnaval
Hey, hey, hey

Raul Seixas

Minha vida segundo Raul Seixas"

Recebi "Minha vida segundo É o Tchan" (do João) e resolvi fazer também...

Usando apenas nomes de músicas de UM ÚNICO ARTISTA ou GRUPO, responda as questões abaixo. 


Escolha seu artista: 
Raul Seixas

Você é homem ou mulher? 
Raul Seixas - O Homem

Descreva-se: 
Metamorfose Ambulante

Como você se sente? 
Eterno Carnaval

Descreva onde vive atualmente: 
Sociedade Alternativa

Se pudesse ir para qualquer lugar, para onde iria? 
Rua Augusta, O Bom

Seu meio de transporte preferido: 
Cachorro - Urubu

Seu melhor amigo: 
Meu Amigo Pedro

Você e seu melhor amigo são: 
Super-Herois

Como está o tempo? 
Medo da Chuva

Melhor hora do dia: 
A Hora do trem passar

Se sua vida fosse um programa de TV, como se chamaria? 
Eu Sou EU, Nicuri é o Diabo

O que é a vida para você? 
Eu nasci há dez mil anos atrás

Seu relacionamento: 
Mata Virgem

Um medo: 
Cowboy Fora da Lei

Qual o melhor conselho que daria? 
Eu também vou reclamar

Pensamento do dia: 
Como vovó já Dizia

Seu jargão: 
Abre-te Sesamo
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ACADÊMICOS DO BAIXO AUGUSTA


INTRO

AUGUSTA MULHER

TE SUBO TE DESÇO ETERNAMENTE A PÉ

NASCEU NAS PEDRAS DE PARATY

SEGURA QUE O BLOCO DO BAIXO VAI SAIR


SAMBA

MEU PRAZER É CONSUMADO
QUANDO DESÇO DA PAULISTA ATÉ A MARTINHO PRADO

A CULTURA ALTERNATIVA DA NOITE PAULISTANA

ACHOU SEU MUNDO ENCANTADO

TRILEGAL, ARRETADO, TCHOPTCHURA

O BAIXO É A TERRA DA MISTURA (2X)

Ô LINDA

LINDA, TE VEJO
VEM ME DAR UM BEIJO

AUGUSTA, ROBUSTA, ME GUSTA

VOCÊ APAVORA, MAS NÃO ASSUSTA

APAVORA, MAS NÃO ASSUSTA

O CARNAVAL DO BAIXO AUGUSTA (2X)

20100128

carnaval feelings...

Esta é a história de um caminhoneiro que viajava por todo Brasil e seu lema era:
'MEU NOME É MARCÃO, SOU DO MARANHÃO, GOSTOSÃO, ENTROU NA MINHA BOLÉIA NÃO TEM PERDÃO!'
E craaaauuuu na mulherada.
Já estava dois meses dirigindo pelas estradas em jejum, não conseguia pegar nenhuma mulher.
Eis que, de repente, ele vê à sua frente uma freira, novinha, bonitinha, pedindo carona.
Ele pensa:
- Que Deus me perdoe!!!
Parou o caminhão e a freira subiu.
- Bom dia, meu filho! Você poderia me levar a cidade mais próxima?
- Bom dia, dona freira! Claro, mas tem um pequeno problema: 
MEU NOME É MARCÃO, SOU DO MARANHÃO, GOSTOSÃO, ENTROU NA MINHA BOLÉIA NÃO TEM PERDÃO!
- Calma, meu filho! Aqui na frente está reservado para Deus, porém, atrás está livre.
Não deu outra. Marcão mandou ver na freirinha.
Dirigindo pela estrada, Marcão ficou pensando na besteira que tinha feito, quando ela diz:
- Meu filho, pode parar que eu vou descer aqui nesta fazenda.
Marcão respondeu:
- Dona freira, desculpe pelo que fiz com a senhora, que Deus me perdoe, mas a senhora sabe como é ficar solitário muito tempo.
Respondeu a freira:
- Não tem problema, Deus vai te perdoar, porque:
'MEU NOME É AMARAL, SOU DE NATAL, HOMOSSEXUAL E ESTA É A MINHA FANTASIA DE CARNAVAL!!!!!
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