20070731

arnaldo jabor

brasileiro é um povo solidário.
mentira.
brasileiro é babaca.

eleger para o cargo mais importante do estado um sujeito que não tem escolaridade e preparo nem para ser gari, só porque tem uma história de vida sofrida; pagar 40% de sua renda em tributos e ainda dar esmola para pobre na rua ao invés de cobrar do governo uma solução para pobreza; aceitar que ong's de direitos humanos fiquem dando pitaco na forma como tratamos nossa criminalidade... não protestar cada vez que o governo compra colchões para presidiários que queimaram os deles de propósito, não é coisa de gente solidária. É coisa de gente otária.

brasileiro é um povo alegre.
mentira.
brasileiro é bobalhão.

fazer piadinha com as imundices que acompanhamos todo dia é o mesmo que tomar bofetada na cara e dar risada. depois de um massacre que durou quatro dias em são paulo, ouvir o josé simão fazer piadinha a respeito e achar graça, é o mesmo que contar piada no enterro do pai. brasileiro tem um sério problema. quando surge um escândalo, ao invés de protestar e tomar providências como cidadão, ri feito bobo.

brasileiro é um povo trabalhador.
mentira.
brasileiro é vagabundo por excelência.

o brasileiro tenta se enganar, fingindo que os políticos que ocupam cargos públicos no país, surgiram de marte e pousaram em seus cargos, quando na verdade, são oriundos do povo. o brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado ao ver um deputado receber 20 mil por mês, para trabalhar 3 dias e coçar o saco o resto da semana, também sente inveja e sabe lá no fundo que se estivesse no lugar dele faria o mesmo. um povo que se conforma em receber uma esmola do governo de 90 reais mensais para não fazer nada e não aproveita isso para alavancar sua vida (realidade da brutal maioria dos beneficiários do bolsa família) não pode ser adjetivado de outra coisa que não de vagabundo.

brasileiro é um povo honesto.
mentira.
já foi; hoje é uma qualidade em baixa.

se você oferecer 50 euros a um policial europeu para ele não te autuar, provavelmente irá preso. não por medo de ser pego, mas porque ele sabe ser errado aceitar propinas. o brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado com o mensalão, pensa intimamente o que faria se arrumasse uma boquinha dessas, quando na realidade isso sequer deveria passar por sua cabeça. 90% de quem vive na favela é gente honesta e trabalhadora. mentira. - já foi. historicamente, as favelas se iniciaram nos morros cariocas quando os negros e mulatos retornando da guerra do paraguai ali se instalaram. Naquela época quem morava lá era gente honesta, que não tinha outra alternativa e não concordava com o crime. hoje a realidade é diferente. muito pai de família sonha que o filho seja aceito como "aviãozinho" do tráfico para ganhar uma grana legal. se a maioria da favela fosse honesta, já teriam existido condições de se tocar os bandidos de lá para fora, porque podem matar 2 ou 3 mas não milhares de pessoas. além disso, cooperariam com a polícia na identificação de criminosos, inibindo-os de montar suas bases de operação nas favelas.

o brasil é um pais democrático.
mentira.

num país democrático a vontade da maioria é lei. a maioria do povo acha que bandido bom é bandido morto, mas sucumbe a uma minoria barulhenta que se apressa em dizer que um bandido que foi morto numa troca de tiros, foi executado friamente. num país onde todos têm direitos mas ninguém tem obrigações, não existe democracia e sim, anarquia. num país em que a maioria sucumbe bovinamente ante uma minoria barulhenta, não existe democracia, mas um simulacro hipócrita. se tirarmos o pano do politicamente correto, veremos que vivemos numa sociedade feudal: um rei que detém o poder central (presidente e suas mps), seguido de duques, condes, arquiduques e senhores feudais (ministros, senadores, deputados, prefeitos, vereadores). todos sustentados pelo povo que paga tributos que têm como único fim, o pagamento dos privilégios do poder. e ainda somos obrigados a votar. democracia isso? pense! o famoso jeitinho brasileiro. na minha opinião um dos maiores responsáveis pelo caos que se tornou a política rasileira. brasileiro se acha malandro, muito esperto. faz um "gato" puxando a tv a cabo o vizinho e acha que está botando pra quebrar. no outro dia o caixa da padaria erra no troco e devolve 6 reais a mais, caramba, silenciosamente ele sai de lá com a felicidade de ter ganhado na loto... malandrões, esquecem que pagam a maior taxa de juros do planeta e o retorno é zero. zero saúde, zero emprego, zero educação, mas e daí? afinal somos penta campeões do mundo né? grande coisa... o brasil é o país do futuro. caramba , meu avô dizia isso em 1950. muitas vezes cheguei a imaginar em como seria a indignação e revolta dos meus avôs se ainda estivessem vivos. dessa vergonha eles se safaram... brasil, o país do futuro!? hoje o futuro chegou e tivemos uma das piores taxas de crescimento do mundo.

deus é brasileiro.
puxa, essa eu não vou nem comentar...

o que me deixa mais triste e inconformado é ver todos os dias nos jornais a manchete da vitória do governo mais sujo já visto em toda a história brasileira.

para finalizar tiro minha conclusão:

o brasileiro merece! como diz o ditado popular, é igual mulher de malandro, gosta de apanhar. se você não é como o exemplo de brasileiro citado nesse e-mail, meus sentimentos amigo, continue fazendo sua parte, e que um dia pessoas de bem assumam o controle do país novamente. aí sim, teremos todas as chances de ser a maior potência do planeta. afinal aqui não tem terremoto, tsunami nem furacão.temos petróleo, álcool, bio-diesel, e sem dúvida nenhuma o mais importante: água doce! só falta boa vontade, será que é tão difícil assim?

20070719

erva da boa

bom para a conversa e para a solidão, o chimarrão é um jogo de empatia e intimidade entre (quase) todos gaúchos

revista vida simples, edição: julho de 2007 - por fabrício carpinejar

vamos gervear? o convite pode parecer estranho e mais estranho seria tentar adivinhá-lo. mas não é nenhuma proposta indecente. gervear é matear, chimarrear, verdear, amarguear, apertar um mate ou simplesmente tomar um chimarrão. o chimarrão é quase uma religião no sul do país. tão ligado ao gaúcho que, quando ele viaja, costuma chegar a uma nova cidade de “mala e cuia”, literalmente. o mate funciona como um ritual para dentro, da solidão, e, ao mesmo tempo, para fora, da solidariedade. natural enxergar na cidade de porto alegre gente solitária na varanda tomando mate, como quem fuma um cigarro e olha o movimento, ou nos parques, passando a cuia entre os amigos, como quem reparte bolachinha recheada. o músico regionalista neto fagundes avisa que isso hoje é uma cena comum. nem sempre foi assim. a chaleira do campo foi substituída pela térmica, essencialmente urbana, a partir dos anos 70 e 80, com a invasão de jovens do interior para estudar e trabalhar na capital gaúcha. (o escritor luis fernando veríssimo brinca em o analista de bagé, sucesso humorístico dos pampas, que o êxodo dos gaúchos iniciou após a invenção da térmica.)


estimula e tonifica

diurético, o chimarrão é um concorrente da cafeína. não se toma chimarrão e café simultaneamente. um ou outro, alto lá! se houvesse tarja no mate, estaria escrito “atua como estimulante do coração e do sistema nervoso, elimina os estados depressivos e tonifica os músculos contra a fadiga e o cansaço”. não é apenas água e erva, tem complexo b, cálcio, magnésio, sódio, ferro e flúor. alimenta mesmo, por mais verde e extraterrestre que seja. na sangrenta guerra do paraguai (1864 a 1870), por exemplo, o general francisco da rocha callado conta que o exército brasileiro alimentou-se exclusivamente de chimarrão durante 22 dias. “as pesquisas sobre o chimarrão estão iniciando seriamente agora. revelam que a bebida tem antioxidantes, também presentes no badalado chá verde (chinês), e que produz um leve efeito contra a coagulação no sangue, como a aspirina”, diz o cardiologista fernando lucchese.

é compreendido ainda como antídoto do excesso de carne. de acordo com o psicanalista mário corso, responde como meio mais eficaz para hidratar e equilibrar o gaúcho, flor de carnívoro, que costuma se atolar nos espetos corridos.

espécie de chá manso, como define o escritor luís augusto fischer. propício tanto à reflexão como à roda de amigos. suas ferramentas são simples, constituídas de cuia (a cabeça do porongo decapitado) e bomba (de prata é a melhor; várias famílias gaúchas têm a peça com bocal de ouro, uma jóia que fica curiosamente na gaveta dos talheres). retirada da erveira, planta que atinge a altura de 6 a 8 metros e similar a uma laranjeira, a erva-mate cobre dois terços da cuia. botando menos, é mate comprido. botando mais, é mate curto. a água a ser posta deve estar quente, não fervida, pois pode queimar a erva e infundir gosto infeliz de pneu queimado. lição que o francês viajante saint hilare, em sua passagem pelo rio grande do sul, em 1820, absorveu: “a cuia tem capacidade de mais ou menos um copo, é cheia com erva até a metade, completando-se o resto com água quente. quando o mate é de boa qualidade, pode-se escaldá-lo até dez ou 12 vezes sem renovar a erva”.


velho de guerra

deu para perceber a antiguidade do chimarrão. sua utilização é pré-colombiana, foi alimento básico dos índios guaranis, teve o desenvolvimento de sua cultura pelos jesuítas da companhia de jesus, que transformaram a erva em comércio e exportação de 1610 a 1768. chegou a servir como pagamento, o que fez significar “cheio de erva” como “cheio de grana”.

aos observadores incrédulos, deve-se concluir que não há mistério, é beber e pronto. ledo engano. o chimarrão é um tabuleiro, com regras, educação e simpatias. convide os colegas para jogar. o que errar está desclassificado. não se pede um mate, o mate é oferecido. uma forma de converter um estranho em amigo. é uma deferência e sinal de respeito. o tradicionalista glênio fagundes estabelece uma comparação muito bonita no livro cevando mate. A roda de chimarrão evoca o moinho de vento, ponto de encontro para perguntar ao interlocutor “quem ele é, de onde vem, o que quer, quando vai?”

cuidado: não se entrega o mate ou se recebe com a mão esquerda. ao se enganar, diga: “desculpe a mão!” só o cevador (o preparador do mate) tem a licença para arrumar e mexer na erva. não adianta fuçar a bomba ou ajeitála por conta própria, mesmo que o chimarrão esteja entupido e não saia nada mais que ar. devolva ao dono que ele arruma. o primeiro a tomar é também sempre o que fez. para mostrar que está bom e, de modo nenhum, envenenado (risos). o segundo mate partirá para o mais velho ou alguém a se prestar uma homenagem. a cuia segue no sentido anti-horário, do lado direito (o lado do “laçar”) em diante, de volta ao cevador. perderá pontos, isso é importante, se você não roncar a cuia. é preciso tomar a água até o final, senão é descortesia. não agradeça na hipótese de continuar na roda. é entendido como uma despedida ou ­ pior ­ um jeito polido de dizer que o mate não estava agradável, provavelmente frio e com a erva lavada. não obstrua o ritmo do círculo, ficando com a cuia à maneira de um copo vazio à espera do garçom.

nem tudo é flor de erva. em fatos e mitos sobre sua saúde, o cardiologista fernando lucchese sugere a quebra de um dos mais sagrados mandamentos da cultura gaudéria em nome da higiene e prevenção. sua observação se refere à mania da cuia de circular de boca em boca. “seria preciso lavar o bocal com a própria água quente. Basta um participante ter herpes labial, que transmitirá aos demais.”

conforme lucchese, o chimarrão pode causar gastrite e esofagite, pela composição da erva ácida e água quente. está relacionado ao câncer de lábio, esôfago e de língua. na década de 70, cidades fronteiriças do rio grande do sul mostraram alta incidência desses casos em comparação às taxas do país. a garrafa térmica ­ novamente ela! ­ diminuiu os riscos.

além do ritual se prestar para rodadas animadas de papo, fofocas e conversas postas em dia, é um ato de reflexão e um mergulho na serenidade. nenhum demérito preparar o mate sozinho. pelo contrário, o verdadeiro mateador é o que não depende de estímulos externos e visitas. “é uma hora para botar as idéias no lugar, refletir sobre o que foi feito no dia anterior, fazer a pauta do dia que se descortina, uma hora para pensar calmamente, para ter aquela paz sem a qual não entendemos as coisas nem criamos nada”, avalia corso.

tradição passional, o chimarrão é como uma prova de iniciação, de batismo de fogo aos interessados em ingressar na cultura gaúcha ou recuperar espaços dentro de si. atividade dos extremos, à semelhança de um grenal (grêmio versus inter), está carregada de exageros e superstições. os que não partilham o costume sentem uma ponta de culpa e se penalizam. um exemplo é o escritor luis fernando veríssimo. no alto de sua reputação unânime, confessa: “acredite ou não, não sei que gosto tem chimarrão. concordo, eu deveria ser expulso do estado”.

20070702

para se lambuzar

por ricky gaioso



opequi é um site meio que, digamos, para referência. um bocado de dicas do que tem de interessante para fazer, ouvir, ler, onde comer, onde viajar, onde encontrar o pessú, design, exposição, gente comum sem senso comum que tem alguma para dividica. e todo o resto, só tem uma maneira de descobrir.

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