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20111219

EIS-ME AQUI...

via: a. marder

“O homem, quando jovem, é só, apesar de suas múltiplas experiências. Ele pretende, nessa época, conformar a realidade com suas mãos, servindo-se dela, pois acredita que, ganhando o mundo, conseguirá ganhar-se a si próprio. Acontece, entretanto, que nascemos para o encontro com o outro, e não o seu domínio. Encontrá-lo é perdê-lo, é contemplá-lo na sua libérrima existência, é respeitá-lo e amá-lo na sua total e gratuita inutilidade. O começo da sabedoria consiste em perceber que temos e teremos as mãos vazias, na medida em que tenhamos ganho ou pretendamos ganhar o mundo. Neste momento, a solidão nos atravessa como um dardo. É meio-dia em nossa vida, e a face do outro nos contempla como um enigma. Feliz daquele que, ao meio-dia, se percebe em plena treva, pobre e nu. Este é o preço do encontro, do possível encontro com o outro. A construção de tal possibilidade passa a ser, desde então, o trabalho do homem que merece o seu nome.” 

Paulo Leminski
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20111007

‎"Sou o que quero ser, porque possuo apenas uma vida e nela só tenho uma chance de fazer o que quero. Tenho felicidade o bastante para fazê-la doce, dificuldades para fazê-la forte, Tristeza para fazê-la humana e esperança suficiente para fazê-la feliz. As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos" 

Clarice Lispector
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20110422

“SEU NOME”

“se eu tivesse um bar ele teria o seu nome
se eu tivesse um barco ele teria o seu nome
se eu comprasse uma égua daria a ela o seu nome
minha cadela imaginária tem o seu nome
se eu enlouquecer passarei as tardes repetindo o seu nome
se eu morrer velhinho, no suspiro final balbuciarei o seu nome
se eu for assassinado com a boca cheia de sangue gritarei o seu nome
se encontrarem meu corpo boiando no mar no meu bolso haverá um bilhete com o seu nome
se eu me suicidar ao puxar o gatilho pensarei no seu nome
a primeira garota que beijei tinha o seu nome
na sétima série eu tinha duas amigas com o seu nome
antes de você tive três namoradas com o seu nome
na rua há mulheres que parecem ter o seu nome
na locadora que frequento tem uma moça com o seu nome
às vezes as nuvens quase formam o seu nome
olhando as estrelas é sempre possível desenhar o seu nome
o último verso do famoso poema de Éluard poderia muito bem ser o seu nome
Apollinaire escreveu poemas a Lou porque na loucura da guerra não conseguia lembrar o seu nome
não entendo por que Chico Buarque não compôs uma música para o seu nome
se eu fosse um travesti usaria o seu nome
se um dia eu mudar de sexo adotarei o seu nome
minha mãe me contou que se eu tivesse nascido menina teria o seu nome
se eu tiver uma filha ela terá o seu nome
minha senha do e-mail já foi o seu nome
minha senha do banco é uma variação do seu nome
tenho pena dos seus filhos porque em geral dizem “mãe” em vez do seu nome
tenho pena dos seus pais porque em geral dizem “filha” em vez do seu nome
tenho muita pena dos seus ex-maridos porque associam o termo ex-mulher ao seu nome
tenho inveja do oficial de registro que datilografou pela primeira vez o seu nome
quando fico bêbado falo muito o seu nome
quando estou sóbrio me controlo para não falar demais o seu nome
é difícil falar de você sem mencionar o seu nome
uma vez sonhei que tudo no mundo tinha o seu nome
coelho tinha o seu nome
xícara tinha o seu nome
teleférico tinha o seu nome
no índice onomástico da minha biografia haverá milhares de ocorrências do seu nome
na foto de Korda para onde olha o Che senão para o infinito do seu nome?
algumas professoras da USP seriam menos amargas se tivessem o seu nome
detesto trabalho porque me impede de me concentrar no seu nome
cabala é uma palavra linda, mas não chega aos pés do seu nome
no cabo da minha bengala gravarei o seu nome
não posso ser niilista enquanto existir o seu nome
não posso ser anarquista se isso implicar a degradação do seu nome
não posso ser comunista se tiver que compartilhar o seu nome
não posso ser fascista se não quero impor a outros o seu nome
não posso ser capitalista se não desejo nada além do seu nome
quando saí da casa dos meus pais fui atrás do seu nome
morei três anos num bairro que tinha o seu nome
espero nunca deixar de te amar para não esquecer o seu nome
espero que você nunca me deixe para eu não ser obrigado a esquecer o seu nome
espero nunca te odiar para não ter que odiar o seu nome
espero que você nunca me odeie para eu não ficar arrasado ao ouvir o seu nome
a literatura não me interessa tanto quanto o seu nome
quando a poesia é boa é como o seu nome
quando a poesia é ruim tem algo do seu nome
estou cansado da vida, mas isso não tem nada a ver com o seu nome
estou escrevendo o quinquagésimo oitavo verso sobre o seu nome
talvez eu não seja um poeta a altura do seu nome
por via das dúvidas vou acabar o poema sem dizer explicitamente o seu nome”





poema de Fabrício Corsaletti
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20110223

RABINDRANATH TAGORE

CONVITE: Homenagem na UMAPAZ

clique na imagem para ampliar
 Fonte: Wikipedia 


Rabindranath Tagore (7 de maio de 1861 - 7 de agosto de 1941), alcunha Gurudev, foi um polímata bengali. Como poeta, romancista, músico e dramaturgo, reformulou a literatura e a música bengali no final do século XIX e início do século XX. Como autor de Gitanjali e seus "versos profundamente sensíveis, frescos e belos", sendo o primeiro não-europeu a conquistar, em 1913, o Nobel de Literatura, Tagore foi talvez a figura literária mais importante da literatura bengali. Foi um destacado representante da cultura hindu, cuja influência e popularidade internacional talvez só poderia ser comparada com a de Gandhi, a quem Tagore chamau 'Mahatma' devido a sua profunda admiração por ele.
Um brâmane pirali de Calcutá, Tagore já escrevia poemas aos oito anos. Com a idade de dezesseis anos, publicou sua primeira poesia substancial sob o pseudônimo Bhanushingho ("Sun Lion") e escreveu seus primeiros contos e dramas em 1877. Tagore condenava a Índia britânica e apoiou sua independência. Seus esforços resistiram em seu vasto conjunto de regras e na instituição que ele fundou, Universidade Visva-Bharati.
Tagore modernizou a arte bengali desprezando as rígidas formas clássicas. Seus romances, histórias, canções, danças dramáticas e ensaios falavam sobre temas políticos e pessoais. Gitanjali (Ofertas de Música), Gora (Enfrentamento Justo) e Ghare-Baire (A Casa e o Mundo) são suas mais conhecidas obras. Seus versos, contos e romances foram aclamados por seu lirismo, coloquialismo, naturalismo e contemplação. Tagore era talvez o único literato que escreveu hinos dos dois países: Bangladesh e Índia: Hino nacional de Bangladesh e Jana Gana Mana.
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20110101

Passagem do Ano

O último dia do ano
não é o último dia do tempo.
Outros dias virão
e novas coxas e ventres te comunicarão o calor da vida.
Beijarás bocas, rasgarás papéis,
farás viagens e tantas celebrações
de aniversário, formatura, promoção, glória, doce morte com sinfonia
e coral,
que o tempo ficará repleto e não ouvirás o clamor,
os irreparáveis uivos
do lobo, na solidão.

O último dia do tempo
não é o último dia de tudo.
Fica sempre uma franja de vida
onde se sentam dois homens.
Um homem e seu contrário,
uma mulher e seu pé,
um corpo e sua memória,
um olho e seu brilho,
uma voz e seu eco,
e quem sabe até se Deus...

Recebe com simplicidade este presente do acaso.
Mereceste viver mais um ano.
Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos séculos.
Teu pai morreu, teu avô também.
Em ti mesmo muita coisa já expirou, outras espreitam a morte,
mas estás vivo. Ainda uma vez estás vivo,
e de copo na mão
esperas amanhecer.

O recurso de se embriagar.
O recurso da dança e do grito,
o recurso da bola colorida,
o recurso de kant e da poesia,
todos eles... e nenhum resolve.

Surge a manhã de um novo ano.
As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gesto renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
A vida escorre da boca,
lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.


Carlos Drummond de Andrade (M)
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20101230

FELIZ OLHAR NOVO

O grande barato da vida é olhar para trás e sentir orgulho da sua história.

O grande lance é viver cada momento como se a receita da felicidade fosse o AQUI e o AGORA.

Claro que a vida prega peças. É lógico que, por vezes, o pneu fura, chove demais...

Mas, pensa só: tem graça viver sem rir de gargalhar pelo menos uma vez ao dia?

Tem sentido ficar chateado durante o dia todo por causa de uma discussão na ida pro trabalho? Quero viver bem.

O ano que passou foi um ano cheio.

Foi cheio de coisas boas e realizações, mas também cheio de problemas e desilusões. Normal.

Às vezes se espera demais das pessoas. Normal.

A grana que não veio, o amigo que decepcionou, o amor machucou. Normal. O próximo ano não vai ser diferente.

Muda o século, o milênio muda, mas o homem é cheio de imperfeições, a natureza tem sua personalidade que nem sempre é a que a gente deseja, mas e aí? Fazer o quê? Acabar com seu dia? Com seu bom humor? Com sua esperança?

O que eu desejo para todos nós é sabedoria!

E que todos saibamos transformar tudo em uma boa experiência!

Que todos consigamos perdoar o desconhecido, o mal educado. Ele passou na sua vida. Não pode ser responsável por um dia ruim...

Entender o amigo que não merece nossa melhor parte. Se ele decepcionou, passe-o para a categoria três, a dos colegas. Ou mude de classe, transforme-o em conhecido. Além do mais, a gente, provavelmente, também já decepcionou alguém.

O nosso desejo não se realizou? Beleza, não tava na hora, não deveria ser a melhor coisa pra esse momento (me lembro sempre de um lance que eu adoro: CUIDADO COM SEUS DESEJOS, ELES PODEM SE TORNAR REALIDADE).

Chorar de dor, de solidão, de tristeza faz parte do ser humano. Não adianta lutar contra isso. Mas se a gente se entende e permite olhar o outro e o mundo com generosidade, as coisas ficam diferentes.

Desejo para todo mundo esse olhar especial.

O próximo ano pode ser um ano especial, muito legal, se entendermos nossas fragilidades e egoísmos e dermos a volta nisso. 

Somos fracos, mas podemos melhorar. Somos egoístas, mas podemos entender o outro.

O próximo ano pode ser o máximo, maravilhoso, lindo, espetacular... ou... Pode ser puro orgulho!

Depende de mim, de você! Pode ser. E que seja!!!

Feliz olhar novo!!!

(Carlos Drummond de Andrade)
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20101023

A uma passante

A rua em derredor era um ruído incomum,
Longa, magra, de luto e na dor majestosa,
Uma mulher passou e com a mão faustosa
Erguendo, balançando o festão e o debrum;

Nobre e ágil, tendo a perna assim de estátua exata.
Eu bebia perdido em minha crispação
No seu olhar, céu que germina o furacão,
A doçura que embala e o frenesi que mata.

Um relâmpago e após a noite! – Aérea beldade,
E cujo olhar me fez renascer de repente,
Só te verei, um dia e já na eternidade?

Bem longe, tarde, além, jamais provavelmente!
Não sabes aonde vou, eu não sei aonde vais,
Tu que eu teria amado – e o sabias demais!

Fonte: Baudelaire, C. 2006. As flores do mal. SP, Martin Claret. Poema originalmente publicado em 1861.

20100916

Qual é a maior palavra do mundo?

A maior palavra do mundo não existe! Veja porque: na língua alemã, os adjetivos e complementos unem-se aos substantivos, formando uma única palavra para designar um termo. Então, por maior que seja a descrição de determinado objeto (e conseqüentemente o tamanho da palavra), ela ainda poderá crescer mais, e mais, e mais. Segundo Maria Telles, assistente do Departamento de Ensino do Instituto Goethe, existe uma anedota, que diz ser a maior palavra do mundo "donaudampfschifffahrtsgesellschaftkapitänskajütentürschlüsselanhänger" - o que equivaleria a "chaveiro da chave da porta da cabine do capitão da Companhia de Navegação a Vapor do Danúbio". Mas e se o chaveiro fosse azul com bolinhas amarelas?

 Guia dos Curiosos

Standing on the shore 
Waiting for the ship in call 
There's something in the way I move 
That keeps them on their own 

The stars explodes a storm 
A billion seasons born 
A shock to the waves I know 
Breaking far from shore 

Don't want to talk 
All I hear is noise 
Don't want to talk 

The future's in my hands 
I hold it in my palms 
Engrave it the leylines running right down her arms 

Speak in silent tongues 
Lies reflect the times 
The ghosts and the shadows fill the living scene 

Don't want to talk 
All I hear is noise 
Don't want to talk 
(repeat) 

Don't want to talk 
All I hear is noise 
Don't want to talk 
(repeat)

♣ Empire Of The Sun

20091213

Portões da Prática Budista (Chagdud Tulku Rinpoche)

seleção por: Marjorye

Trecho selecionado do capítulo 1 - "A Roda em Movimento" 

A mente é a fonte tanto do nosso sofrimento quanto da nossa felicidade. Pode ser usada de modo positivo, para criar benefícios ou de modo negativo, para criar malefícios. Embora a natureza fundamental de todos os seres seja uma pureza imortal, que existiu desde sempre, sem começo - o que chamamos natureza búdica - nós não reconhecemos essa natureza. Em vez disso, somos controlados pelos caprichos da mente ordinária, que vai para cima e para baixo, para a direita e para a esquerda, produzindo pensamentos bons e ruins, agradáveis e dolorosos. Nesse meio tempo, plantamos uma semente a cada pensamento, palavra e ação. Assim como é certo que cada semente de uma planta venenosa produz frutos venenosos e que uma planta medicinal cura, as ações maléficas produzem sofrimento e as ações benéficas, felicidade.

Nossas ações viram causas e, dessas causas, naturalmente, vêm resultados. Tudo que é colocado em movimento produz um movimento correspondente. Se você joga uma pedra em uma lagoa, formam-se ondulações em círculos, batem na margem e voltam. O mesmo se passa com o movimento dos pensamentos. Quando os resultados desses pensamentos retornam, sentimo-nos vítimas indefesas: "Estávamos inocentemente vivendo nossa vida...´por que todas essas coisas estão acontecendo conosco?" O que acontece é que as ondulações estão voltando para o centro. Isso é o carma. 

A mente ordinária é cheia de oscilações e turbulência. Se não há uma força que a controle e controle seus efeitos sobre o corpo e a fala, somos jogados para cima e para baixo, para frente e para trás: nossa realidade parece um passeio de montanha russa. Na verdade, é mais parecida ao girar de uma roda. Pomos uma roda em movimento e, a cada vez que reagimos, damos novo impulso a ela, ficando presos em seu movimento perpétuo. Dessa forma, nossa experiência da realidade continua a girar em ciclos, com todas as suas variações, vida após vida. Assim, é interminável o samsara, a existência cíclica. Não compreendemos que estamos vivenciando resultados que nós mesmos criamos e que nossas reações produzem ainda mais causas, mais resultados - incessantemente. 

Pelo fato de termos sido nós mesmos que armamos a enrascada em que nos encontramos, cabe a nós mudá-la. Uma pessoa que esteja com o cabelo embaraçado e oleoso e olhe em um espelho, não irá conseguir limpar a sua imagem esfregando o espelho. Uma pessoa que tenha uma disfunção biliar terá uma percepção distorcida da cor: verá uma superfície branca - quer seja uam montanha nevada, a distância, ou um pedaço de pano branco - como sendo amarelada. O único modo de corrigir a visão defeituosa é curar a doença. Tentar alterar o ambiente externo não trará resultado algum. 

Algumas pessoas pensam que o remédio para o sofrimento está nas mãos de Deus ou Buda, em algum lugar externo a elas. Mas as coisas não são assim. O próprio Buda disse a seus discípulos, "Eu lhes mostrei o caminho que leva à liberdade. Seguir por esse caminho é algo que depende de vocês". 

A mente, quando usada de modo positivo - para gerar compaixão, por exemplo - é capaz de criar grandes benefícios. Pode parecer que esses benefícios vêm de Deus ou Buda, mas são simplesmente o resultado das sementes que plantamos. Embora com os ensinamentos de Buda recebamos a chave do conhecimento que nos permite transformar, pacificar e treinar a nossa mente, somente nós podemos descerra sua verdade mais profunda, expondo nossa natureza búdica e suas capacidades ilimitadas.

Nossas experiências atuais na vida são de relativa boa sorte. Muitos são os que experimentam 
sofrimento muito pior que o nosso. Assolados pelas dores implacáveis da guerra doença e fome, não têm meios para mudar sua situação; parece não haver saída. 

Ao contemplarmos as dificuldades em que essas pessoas se encontram, a compaixão brota em nosso coração. Ganhamos inspiração para não desperdiçarmos nossas circunstâncias bem-afortunadas, mas sim, usá-las para criar benefícios para nós mesmos e para os outros - benefícios que estejam além da felicidade provisória que vem e vai, além dos ciclos infindáveis do sofrimento samsárico. Somente ao revelar por inteiro a natureza verdadeira da mente - ao alcançar a iluminação - podemos encontrar felicidade duradoura e ajudar os outros a fazer o mesmo. 

Essa é a meta do caminho espiritual. 



Capítulo 2 - "O Trabalho com o Apego e o Desejo"

Para compreender como surge o sofrimento, pratique observar a sua mente. Comece simplesmente deixando-a relaxar. Sem pensar no passado nem no futuro, sem sentir esperança nem medo em relação a isto ou aquilo, deixe que ela repouse confortavelmente, aberta e natural. Nesse espaço da mente não há problemas, não há sofrimento. Então, alguma coisa prende sua atenção - uma imagem, um som, um cheiro. Sua mente se subdivide em interno e externo, "eu" e "outro", sujeito e objeto. Com a simples percepção, não há ainda nenhum problema, mas, quando você se concentra no objeto, nota que é grande ou pequeno, branco ou preto, quadrado ou redondo. Então, você faz um julgamento - por exemplo, se o objeto é bonito ou feio. Tendo feito esse julgamento, você reage a ele: decide se gosta ou não do objeto. 

É aí que o problema começa, pois "Eu gosto disto" conduz a "Eu quero isto". Igualmente, "Eu não gosto disto" conduz a "Eu não quero isto". Se gostamos de alguma coisa, se a queremos e não podemos tê-la, nós sofremos. Se a queremos, a obtemos e depois a perdemos, nós sofremos. Se não a queremos, mas não conseguimos mantê-la afastada, novamente sofremos. Nosso sofrimento parece ocorrer por causa do objeto do nosso desejo ou aversão, mas realmente não é assim - ele ocorre porque a mente se divide na dualidade sujeito-objeto e fica envolvida com querer ou não querer alguma coisa. 

Com frequência, pensamos que o único meio de criar a felicidade é tentando controlar as circunstâncias externas da nossa vida, tentando consertar o que nos parece errado ou nos livrar de tudo que é incômodo. Mas o verdadeiro problema encontra-se em nossa reação a essas circunstâncias. O que temos que mudar é a mente e a maneira como ela vivencia a realidade. 
Nossas emoções nos empurram de um extremo a outro: da excitação para a depressão, de experiências boas para ruins, da felicidade para a tristeza - um constante ir e vir. O emocionalismo é um subproduto da esperança e do medo, do apego e da aversão. Temos esperança porque estamos apegados a alguma coisa que queremos. Temos medo porque temos aversão a alguma coisa que não queremos. 

À medida que seguimos as emoções, reagindo às nossas experiências, criamos carma - um movimento perpétuo que inevitavelmente determina o nosso futuro. Precisamos interromper as oscilações extremadas do pêndulo emocional para podermos encontrar um eixo de equilíbrio. 

Quando começamos pela primeira vez nosso trabalho com as emoções, aplicamos o princípio de que o ferro corta o ferro, o diamante corta o diamante. Usamos os pensamento para transformar o pensamento. Um pensamento raivoso pode ter como antídoto um outro que seja compassivo, ao passo que o desejo pode ter seu antídoto na contemplação da impermanência. 
No caso do apego, comece examinando o que é o objeto ao qual você está apegado. Por exemplo, pode ser que, depois de muito esforço, você consiga se tornar famoso, pensando que isso o fará feliz. Então, sua fama provoca inveja em alguém que tenta matá-lo. Aquilo que você trabalhou tanto para criar passa a ser a causa do seu sofrimento. 

Pode ser que você trabalhe com afinco para se tornar rico, pensando que isso lhe trará felicidade, para então ver todo o dinheiro se perder. A perda da riqueza em si não é a causa do sofrimento, mas, sim, o apego à sua posse. 

Podemos reduzir o apego contemplando a impermanência. É certo que o objeto ao qual estamos apegados, seja qual for, irá mudar ou se perder. Uma pessoa talvez morra ou vá embora, um amigo pode se tornar inimigo, um ladrão pode roubar seu dinheiro. Mesmo nosso corpo, ao qual estamos apegados em grau máximo, irá embora um dia. Saber disso não só ajuda a diminuir o apego, como também nos proporciona maior apreciação das coisas que temos, enquanto as temos. Por exemplo, não há nada de errado com o dinheiro em si, mas, se nos apegarmos a ele, sofremos quando o perdemos. Em vez disso, podemos apreciá-lo enquanto durar, desfrutar dele e ter prazer em compartilhá-lo com os outros, sabendo, ao mesmo tempo, que ele é impermanente. Então, quando o perdemos, o pêndulo emocional não fará um movimento tão largo em direção à tristeza. 

Imagine duas pessoas que compram o mesmo tipo de relógio, no mesmo dia, na mesma loja. A primeira pessoa pensa, “Este relógio é muito bonito. Vai me ser útil, mas pode ser que não dure muito tempo”. 

A segunda pessoa pensa, “Este é o melhor relógio que já tive. Aconteça o que acontecer, não posso perdê-lo nem deixar que se quebre”. Se ambas as pessoas perderem seu relógio, aquela que está apegada ficará muito mais contrariada do que a outra. 

Se somos enganados pela vida e depositamos grande valor em uma coisa ou outra, podemos nos pegar lutando por aquilo que queremos, opondo-nos a tudo e a todos. Podemos pensar que aquilo por que lutamos é duradouro, verdadeiro e real, mas não é. É impermanente, não é verdadeiro, não é duradouro e, em última análise, sequer é real. 

Nossa vida pode ser comparada a uma tarde em um shopping Center. Andamos pelas lojas, conduzidos por nossos desejos, pegando coisas das prateleiras e as jogando em nossas cestas. Passeamos de um lado para o outro, olhando tudo, querendo e desejando. Sorrimos para uma ou duas pessoas e seguimos adiante para nunca mais vê-las. 

Impelidos pelo desejo, deixamos de apreciar e valorizar aquilo que já temos. Precisamos nos dar conta de que o tempo que temos com aqueles que nos são caros – nossos amigos, nossos parentes, nossos colegas de trabalho -, é muito curto. Mesmo se vivêssemos até cento e cinqüenta ano, isso seria muito pouco para desfrutar da nossa oportunidade humana e fazermos uso dela. 

Aqueles que são jovens pensam que sua vida será longa, e os velhos pensam que a vida terminará logo. Mas não podemos pressupor essas coisas. Nossa vida vem com uma data de expiração embutida. Há muitas pessoas fortes e saudáveis que morrem jovens, enquanto muitos que são velhos, doentes e debilitados continuam vivendo dia após dia. Sem saber quando iremos morrer, precisamos cultivar apreciação e aceitação das coisas que temos, enquanto as temos, em vez de ficarmos procurando defeitos em nossas experiências e buscarmos, incessantemente, preencher nossos desejos. 

Se começamos a nos preocupar se o nosso nariz é grande ou pequeno demais, deveríamos pensar, “E se eu não tivesse cabeça – isso sim seria um problema!” Enquanto tivermos vida, deveríamos nos regozijar. Se nem tudo sai exatamente como gostaríamos, podemos aceitar isso. Se contemplarmos a impermanência em profundidade, a paciência e a compaixão irão surgir. Nos apegaremos menos à verdade aparente das nossas experiências e a nossa mente se tornará mais flexível. Aos nos darmos conta que um dia este corpo vai ser enterrado ou cremado, vamos nos regozijar com cada momento que tivermos, em vez de fazermos infelizes a nós mesmo ou aos outros. 

Agora vivemos contaminados pela infecção do “eu-meu”, uma doença causada pela ignorância. Nossa atitude autocentrada e nossos pensamentos de auto-importância tornaram-se hábitos muito fortes. A fim de mudá-los, precisamos alterar o nosso foco. Em vezes de ficarmos preocupados com o “eu” todo o tempo, devemos redirecionar a atenção para “você” ou “ele” ou “os outros”. Com a redução da auto-importância, diminui também o apego resultante. Quando tiramos de nós mesmos o foco de nossa atenção, somos levados, ao final, a compreender a igualdade que há entre nós e todos os demais seres. Todos querem ter felicidade: ninguém quer sofrer. O apego à nossa própria felicidade amplia-se para se tornar um apego à felicidade de todos. 

Até agora nossos desejos tenderam a ser muito superficiais, egoístas e imediatistas. Se tivermos que querer algo, então que seja nada menos do que a completa iluminação de todos os seres. Eis aí algo digno de ser desejado. Recordarmo-nos sempre do que verdadeiramente vale a pena querer é um importante elemento da prática espiritual. 

Desejo e apego não mudam da noite para o dia. O desejo, porém, torna-se menos comum à medida que redirecionamos nossos anseios mundanos para a aspiração de fazer tudo o que está ao nosso alcance para ajudar todos os seres a encontrar felicidade permanente. Não temos que abandonar os objetos habituais dos nossos desejos – relacionamentos, riqueza, fama – mas, na medida em que contemplamos sua impermanência, ficamos menos apegados a eles. Se temos a atitude de nos regozijar com a nossa sorte quando eles aparecem e, ao mesmo tempo, reconhecemos que não irão durar, começamos a desenvolver qualidades espirituais. Cometemos, em menos número, os atos nocivos que resultam do apego e, assim, criamos menos carma negativo; geramos mais carma favorável, aumentando gradativamente as qualidades positivas da mente. 

Com o tempo, conforme a nossa prática de meditação amadurece, podemos tentar algo diferente de usar o pensamento para transformar o pensamento: podemos usar uma abordagem que revele a natureza mais profunda das emoções no momento em que estas surgem. 

Se você estiver no meio de um ataque de desejo – alguma coisa prendeu sua mente e você precisa tê-la – não conseguirá se livrar do desejo tentando reprimi-lo. Em vez disso, você pode olhar através do desejo, começando a examinar o que ele é. Quando o desejo aparece na mente, pergunte-se, “De onde ele vem? Onde permanece? Será que pode ser descrito? Será que tem cor, forma ou contorno? Quando desaparece, para onde vai?”

Esta é uma situação interessante. Você pode dizer que o desejo existe, mas, se buscar pela experiência, não consegue tocá-la com as mãos. Por outro lado, se disser que ele não existe, estará negando o fato óbvio de estar sentindo desejo. Você não pode dizer que existe, nem pode dizer que não existe. Você não pode dizer que valem “ambas” as coisas ou “nenhuma” delas, que o desejo tanto existe quanto não existe, ou que nem existe, nem não existe. Esse é o significado da natureza verdadeira do desejo, além dos extremos da mente conceitual. 

É nossa incapacidade de compreender a natureza essencial de uma emoção, quando ela surge, que nos coloca em dificuldades. Uma vez que consigamos fazer isso, a emoção tende a se dissolver. Então, não estaremos reprimindo nem incentivando. Estaremos simplesmente olhando com clareza para o que ocorre. Se deixarmos de lado um copo com água turva por algum tempo, a água vai se assentar por si só e ficar transparente. Em vez de julgarmos a experiência do desejo, olhamos diretamente para a sua natureza, o que se chama “libertá-lo em sua própria base”. 

Cada uma das emoções negativas ou venenos mentais possui uma pureza intrínseca que não reconhecemos por estarmos tão acostumados à sua aparência de emoção. A natureza verdadeira dos cinco venenos – ignorância, apego, aversão, inveja e orgulho – são as cinco sabedorias. Da mesma forma que um veneno pode ser ingerido como remédio para se obter a cura, cada veneno da mente, se trabalhado adequadamente, pode ser remetido à sua natureza de sabedoria e, assim, incrementar nossa prática espiritual. 
Se, em meio à intensidade do desejo, você simplesmente relaxar, sem remover sua atenção, aquele espaço da mente chama-se a sabedoria discriminativa. Você não abandona o desejo – antes, revela sua natureza de sabedoria.



Capítulo 3 – “O Trabalho com a Raiva e a Aversão”

O APEGO E A RAIVA são dois lados da mesma moeda. Por causa da ignorância e da divisão da mente na dualidade sujeit-objeto, nos agarramos a coisas que percebemos como externas a nós, ou então tentamos nos afastar delas. Quando encontramos algo que desejamos e que não podemos conseguir; ou quando alguém nos impede de alcançar aquilo que dissemos a nós mesmos que precisávamos ter; ou quando acontece algo que não se ajusta à maneira como gostaríamos que as coisas fossem, sentimos raiva, aversão ou ódio. Essas respostas, porém, não trazem benefício algum; elas apenas prejudicam. Com a raiva, e também com o apego e a ignorância – os três venenos da mente – geramos carma sem fim, sofrimento sem fim. 

Diz-se que não há mal que se compare à raiva: por sua própria natureza, a raiva é destrutiva, um inimigo. Dado que nem uma gota de felicidade jamais nasce dela, a raiva é uma das potentes forças negativas.

A raiva e a aversão podem levar à agressão. Quando prejudicadas, muitas pessoas sentem que devem retaliar, cobrando olho por olho. É uma resposta natural. “Se alguém me xinga, dou o troco e xingo também. Se alguém me dá um soco, leva outro de volta. É o que a pessoa merece”. Ou, ainda pior: “Esse indivíduo é meu inimigo. Se eu o matar, vou ficar feliz!”

Não damos conta que, se temos tendência à aversão e à agressão, os inimigos começam a aparecer por todos os lados. Encontramos cada vez menos coisas para gostar nos outros e cada vez mais coisas para odiar. As pessoas começam a nos evitar e ficamos mais isolados e solitários. Às vezes, enfurecidos, cuspimos palavras ásperas e ofensivas. Os tibetanos têm um ditado: “As palavras podem não carregar armas, mas ferem o coração”. Nossas palavras pode ser extremamente danosas, tanto pelo mal que causam aos outros quanto pela raiva que despertam. Com freqüência, estabelece-se um ciclo: uma pessoa sente aversão por outra e diz alguma coisa que a fere; a outra pessoa reage, dizendo algo fora do esquadro. As duas começam a pôr lenha na fogueira uma da outra, até que estejam travando uma batalha de palavras iradas. Sem dúvida, isso pode ser transposto para o nível nacional e internacional, onde grupos de pessoas se envolvem em agressão contra outros grupos e nações são jogadas contra nações. 

Quando você deixa a aversão e a raiva tomarem conta de você, é como se, tendo decidido matar uma pessoa jogando-a em um rio, você se agarrasse ao pescoço dela, pulasse na água e os dois morressem afogados. Ao destruir seu inimigo, você também se destrói. 

É muito melhor dissipar a raiva antes que ela possa conduzir a um conflito maior, respondendo a ela com a paciência. Compreender a responsabilidade que temos por aquilo que nos acontece ajuda a fazer isso. Tratamos nossa ligação com alguém que percebemos como um inimigo como se saída do nada. Mas, em alguma existência passada, talvez tenhamos usado palavras duras com aquela pessoa, maltratando-a fisicamente ou abrigando pensamentos raivosos em relação a ela. Em vez de procurarmos os defeitos dos outros, dirigindo nossa raiva e aversão contra situações que pensamos estar no ameaçando, deveríamos lidar com o verdadeiro inimigo. Esse inimigo, que destrói nossa felicidade a curto prazo e nos impede, em uma perspectiva mais longa, de alcançar a iluminação é a nossa própria raiva e aversão. Se a vencermos, não haverá mais brigas, pois deixaremos de perceber como inimigos os nossos oponentes – um grande retorno por pouco esforço. Tanto nós quanto eles teremos cada vez menos probabilidades de reincidir em situações que possam levar a um conflito. Todos saem ganhando. 

Nossa tendência habitual é fazer contemplação, mas de maneira contraproducente. Se alguém nos insulta, geralmente ficamos remoendo o assunto, perguntamo-nos, “Por que ele me disse isso?”, vez após vez. É como se tivesse atirado uma flecha contra nós, mas o tiro saísse curto. Concentramo-nos no problema é como apanharmos a flecha e cravá-la em nosso peito repetidas vezes dizendo, “Ele me magoou tanto. Não consigo acreditar que fez isso”. 

Um outra opção é usar o método da contemplação para refletir sobre as coisas de modo diferente, para modificar nosso hábito de reagir com raiva. 

De início, como é difícil pensar com clareza em meio a uma discussão, começamos a praticar em casa, sozinhos, imaginando confrontos e novas formas de responder a eles. Imagine, por exemplo, que uma pessoa o insulte. Ela está enojada de você, dá-lhe um tapa ou ofende você de algum modo. Você pensa, “O que devo fazer? Vou me defender – vou retaliar. Vou expulsar essa pessoa da minha casa”. Agora, experimente outra atitude. Diga a si mesmo, “Essa pessoa me deixa com raiva. Mas o que é raiva? É um dos venenos da mente que gera carma negativo e leva sofrimento intenso. Contrapor raiva à raiva é como ir atrás de um louco que pula de um precipício. Será que tenho que fazer o mesmo? Se é insano da parte dele agir como age, é ainda mais insano da minha parte agir do mesmo modo”.

Lembre-se de que aquelas pessoas que agem de forma agressiva com relação a você estão apenas comprando o próprio sofrimento, criando, por ignorância, condições mais difíceis para si mesmas. Pensam estar fazendo o que é melhor para si, estar corrigindo algo errado ou impedindo que o pior aconteça. Mas a verdade é que esse comportamento não traz benefício algum. Em muitos aspectos, é como alguém que está com dor de cabeça e bate na própria cabeça com um martelo para tentar parar a dor. Em sua infelicidade, põe a culpa nos outros, os quais, por sua vez, ficam com raiva e brigam, apenas piorando a situação. Quando consideramos a condição difícil em que se encontram, damo-nos conta de que essas pessoas deveriam ser objeto de nossa compaixão, e não de raiva ou crítica. Então aspiramos fazer tudo o que está ao nosso alcance para protegê-las de mais sofrimento, como faríamos com uma criança que sempre se mete em travessuras, fugindo o tempo todo para a rua e que nos bate e arranha quando tentamos trazê-la de volta. Em vez de desistirmos daqueles que agem mal, precisamos compreender que estão procurando a felicidade, mas não sabem como encontrá-la. O papel de inimigo não é permanente. A pessoa que o fere hoje pode se ternar seu melhor amigo amanhã. O seu inimigo de hoje pode mesmo ter sido, em uma vida passada, a pessoa que lhe deu à luz, a mãe que alimentou e cuidou de você. Ao contemplarmos esses aspectos desse modo e repetidamente, aprendemos a reagir à agressão com compaixão e a responder à raiva com bondade.

Um outro método que podemos empregar é ganhar consciência da qualidade ilusória da nossa raiva e do objeto da nossa raiva. Se, por exemplo, alguém lhe diz, “Você é um indivíduo mau”, pergunte-se, “Será que isso me faz ser mau? Se eu fosse um indivíduo mau e alguém dissesse que eu era bom, isso faria de mim um indivíduo bom?” Se alguém diz que carvão é ouro, ele passa a ser ouro? As coisas não se transformam apenas porque alguém diz isto ou aquilo. Por que levar essas palavras tão a sério?

Sente-se em frente de um espelho, olhe para sua imagem e insulte-a: “Você é feio. Você é mau.” Em seguida, elogie-a: “Você é bonito.Você é bom.” Independentemente do que você diga, a imagem permanece simplesmente o que ela é. Elogios e críticas não detém poder algum de nos ajudar ou prejudicar. 

À medida que praticamos desse modo, começamos a compreender que as coisas são desprovidas de solidez, como um sonho ou uma ilusão. Criamos um estado mental mais espaçoso – um estado que não é tão reativo. Então, quando a raiva aparece, em vez de responde imediatamente, podemos olha para ela e perguntar: “O que é isso?O que está me fazendo ficar vermelho e tremer? Onde está?” O que descobrimos é que a raiva não tem substância, que não é uma coisa que possa ser encontrada.

Assim que nos damos conta de que não conseguimos encontrar a raiva, podemos deixar a mente em repouso. Não reprimimos a raiva. Apenas deixamos a mente repousar em meio a ela. Podemos ficar com a própria energia – simples e naturalmente, permanecendo cientes dela, sem apego e aversão. Então constatamos que a raiva, assim como o desejo, na realidade não é o que pensávamos ser. Começamos a ver sua natureza e a compreender a sua essência, que é a sabedoria semelhante ao espelho. 

Fazer isso pode soar fácil, mas não é. A raiva nos estimula e nós voamos – de um jeito ou de outro. Voamos em nossa mente, voamos para um julgamento, voamos para uma reação, voamos para isto ou aquilo, nos envolvendo com o que nos contrariou. Nosso hábito de revidar dessa forma vem sendo reforçado vez após vez, vida após vida. Se nossa compreensão da essência da raiva for apenas superficial, vamos verificar que não seremos capazes de aplicá-la a situações da vida real. 

Há um famoso conto folclórico tibetano sobre um homem que estava meditando em retiro. Alguém veio vê-lo e perguntou, “Em que você está meditando?”
“Na paciência”, disse ele.
“Você é um idiota!”
Isso deixou o meditador furioso e ele imediatamente começou uma discussão – o que mostrou exatamente quanta paciência ele tinha. 

Somente pela aplicação sistemática e contínua desses métodos, dia após dia, mês após mês, ano após ano, é que conseguiremos dissolver nossos hábitos arraigados. O processo pode levar algum tempo, mas nós, sem dúvida, iremos mudar. Veja com que rapidez mudamos em termos negativos. Estamos felizes e, então, alguém diz ou faz algo, e logo ficamos irritados. Mudar de modo positivo requer disciplina, esforço e paciência. A palavra “meditação” em tibetano (gom), vem da mesma raiz do verbo “familiarizar-se” ou “aclimatar-se”. Utilizando vários métodos, nós nos familiarizamos com outros modos de ser. 

Há uma expressão: “Até um elefante pode ser domado de diferentes maneiras.” Quando ferrões e ganchos são empregados com habilidade, esse animal enorme e potente pode ser conduzido com bastante delicadeza. Diz-se que quando os elefantes são enfeitados para ocasiões festivas, tornam-se dóceis, caminhando como se pisassem sobre ovos. Ou, se estão no meio de um multidão, os elefantes deixam-se facilmente controlar. Portanto, uma coisa que é grande e pesada pode, com os meios adequados, vir a ser manipulada satisfatoriamente. Do mesmo modo, a mente, muitas vezes insubmissa e tempestuosa, pode ser pacificada com meios hábeis. 
A diferença entre como uma pessoa mundana encara a vida e como um praticante espiritual o faz, está em que aquela sempre olha para os fenômenos como se olhasse através de uma janela, julgando a experiência externa; ao passo que este usa a experiência como um espelho para, repetidamente, examinar sua própria mente em minucioso detalhe – para determinar onde se encontram os pontos fortes e os fracos, como cultivar os primeiros e eliminar o últimos. 

Não precisamos de uma vidente para nos dizer qual vai ser a nossa experiência no futuro – precisamos apenas olhar para a nossa própria mente. Se temos um bom coração e a intenção de ajudar os outros, estaremos encontrando felicidade continuamente. Se, ao contrário, a mente estiver preenchida por pensamentos autocentrados e mundanos, ou com raiva e intenções maldosas em relação aos outros, estaremos encontrando apenas experiências difíceis. 

Se examinarmos a nossa mente, vez após vez, continuamente aplicando antídotos para os venenos que surgem, iremos lentamente ver mudanças. Apenas nós mesmos podemos realmente saber o que está acontecendo em nossa mente. É fácil mentir para os outros. Podemos fingir que um saco de couro grosso está cheio, mas assim que alguém se sente sobre ele saberá se está cheio de fato. 

De igual modo, podemos nos sentar por horas na postura de meditação, mas, se pensamentos vindos dos venenos circulam pela mente o tempo todo, estaremos apenas fingindo fazer prática espiritual. Em lugar disso, podemos ser honestos conosco mesmos, assumindo a responsabilidade pelo que vemos em nossa mente, em vez de julgar os outros, e aplicando o corretivo apropriado para mudar.

20090514

PretoBrás

"Pensei seduzir você com algo bem provocante
Gingando num bambolê, me equilibrando em barbante
Dançando numa TV, coberto com diamantes
Num carrão zero, por que que eu não pensei nisso antes?
Por que que eu não pensei nisso antes?

PENSEI SEDUZIR VOCÊ DAQUELE INSTANTE EM DIANTE
ALÉM DE FAZER CROCHÊ, PENSEI DAR VÔO RASANTE
Ir ao cinema escrever, reinar nesse caos reinante
Impressionante, por que que eu não pensei nisso antes?
Por que que eu não pensei nisso antes?

PENSEI SEDUZIR VOCÊ FAZENDO AR DE IMPORTANTE
TE OFERECENDO UM APÊ, UM DRINK OU UM REFRIGERANTE
TESTANDO HIV, CONSULTANDO CARTOMANTE
SÓ SOBRE A GENTE, POR QUE QUE EU NÃO PENSEI NISSO ANTES?
POR QUE?

Pensei seduzir você domesticando elefantes
Cuidando bem de bebês, doando-me pra transplante
Eu mesmo ser meu dublê, meu próprio representante
Por cargas d´água, por que que eu não pensei nisso antes?
Por que que eu não pensei nisso antes?

PENSEI SEDUZIR VOCÊ MOSTRANDO-ME CONFIANTE
PLANTANDO UM PÉ DE IPÊ, ECÓLOGO AMBULANTE
LIMPANDO O RIO TIETÊ, E OUTROS RIOS RESTANTES
SER CARIOCA E BAIANO, POR QUE QUE EU NÃO PENSEI NISSO ANTES?
POR QUE QUE EU NÃO PENSEI NISSO ANTES?

Pensei seduzir você mudando-me qual um mutante
De alguma estrela trazer um raciocínio brilhante
BATER NO PEITO E DIZER, NUM BRADO BEM RETUMBANTE
SÓ PENSO EM VOCÊ, por que que eu não pensei nisso antes?
Por que que eu não pensei nisso antes?
Por que? Por que? Por que?"

itamar assumpção

20090512

holocaustro

O General Dwight D. Eisenhower tinha razão ao ordenar que fossem feitos os filmes e as fotos. Exatamente, como foi previsto há cerca de 60 anos… É uma questão de História lembrar que, quando o Supremo Comandante das Forças aliadas, General Dwight D. Eisenhower encontrou as vítimas dos campos de concentração, ordenou que fosse feito o maior número possível de fotos, e fez com que os alemães das cidades vizinhas fossem guiados até aqueles campos e até mesmo enterrassem os mortos.


E o motivo, ele assim explanou:
“Que se tenha o máximo de documentação – façam filmes – gravem testemunhos – porque há-de vir um dia em que algum idiota se vai erguer e dizer que isto nunca aconteceu”.


'Tudo o que é necessário para o triunfo do mal,
é que os homens de bem nada façam'.

(Edmund Burke)

Recentemente, o Reino Unido removeu o Holocausto dos seus currículos escolares porque 'ofendia' a população muçulmana, que afirma que o Holocausto nunca aconteceu. Este é um presságio assustador sobre o medo que está a atingir o mundo, e o quão facilmente cada país se está a deixar levar. Passaram mais de 60 anos do fim da Segunda Guerra Mundial. Este texto está sendo enviado como uma corrente, em memória dos 6 milhões de judeus, 20 milhões de russos, 10 milhões de cristãos, e 1900 padres católicos que foram assassinados, massacrados, violentados, queimados, mortos à fome e humilhados, enquanto Alemanha e Rússia olhavam noutras direcções. Agora, mais do que nunca, com o Irão, entre outros, sustentando que o 'Holocausto é um mito', torna-se imperativo fazer com que o mundo jamais esqueça. A intenção de repassar este texto, é que ele seja lido por, pelo menos, 40 milhões de pessoas em todo o mundo. Traduza-o para outras línguas se for o caso! Seja um elo desta corrente e ajude a divulgar para o mundo todo!

20081211

energia

tive mais um insight e resolvi escrever!
mas quando comecei, percebi
nunca fica igual como quando pensamos, né?
é como um dejavú,
acha que aconteceu,
talvez tenha acontecido,
é uma sensação estranha!
será essa tal energia?
a resposta pra todas as perguntas?

queria dizer que aqui me sinto conectado com muitas pessoas
com o mundo, com tudo! e até com além da vida!
porque quando eu não puder mais estar aqui, escrevendo,
tudo estará registrado aqui!
a não ser que o google quebre, mas acho difícil!
além disso, é a minha memória, eu vou levar...

vou levra minha alma, minha energia
e a mesma que eu citei no começo,
acredito que seja um pouco de cada um...

alx hoera

20081205

encontro marcado

na saída do seu trabalho, às 19 horas, cheguei animado para te encontrar! depois daquela conversa tensa e de todas tantas que tivemos nos últimos tempos, resolvi relaxar! vou entrar de férias logo menos e não tenho que me preocupar mesmo com tanta coisa pequena que não leva a nada, você tem razão! então, vamos deixar nossos destinos tomarem conta das nossas vidas e foi ótimo não fazer nenhuma parada social e incerta; melhor ascender aquele beck e traçar um novo caminho para o parque, tranqüilo, sem o caos que é são paulo, a conversa até flui melhor! risadas, carinhos, gongadas, declarações espontâneas de amor, alfinetadas, planos, nóias... você sabe o quanto é importante pra mim ter todos esses momentos! somos intensos...
na chegada ao parque, essencial foi sentar no banquinho pra contemplar o lago, fumar um cigarro e perceber que nossos encontros sempre tem algo de especial, desde o primeiro: as luzes da fonte nos chamou, tivemos que seguí-la! enquanto isso, é anunciado o começo do balé das águas, ao chegar no deck, era impressionante como aquilo poderia estar acontecendo para nós: para nós! apesar de você não ter nenhuma paciência e não aguentar meus comentários, me surpreendi, confesso! a noite já não seria tão comum assim e caminhando até o estacionamento, nos deparamos mais uma vez com o inesperado! como iríamos saber que a bienal (do vazio) ainda estava rolando... e todas aquelas pessoas animadas-performáticas-wannabe-hype-new-ravers-new-hippies-modernos-descolados-blasès estavam simulando uma loucura coletiva que provavelmente estavam mesmo vivenciando e o bar foi nossa parada antes de ir pra casa: caras conhecidas, conversas sobre deslumbramento e o retorno cansado pra casa, achei ótimo! a companhia, a cumplicidade, mesmo que seja dentro de um ônibus final de carreira! a gente economiza o taxi pra próxima aventura... (tipo da national geografic tupiniquim com um gambá passeando, comendo e subindo na árvores somos nozes do parque!)

e como é bom chegar contigo e poder encontrar com sua mãe ainda acordada, fazendo velas para o natal (você vai precisar de...) e poder manter uma conversa sóbria e divertida, enquanto sua irmã desce, assim, despretenciosamente para se juntar a nossa conversa animada de final de noite, antes mesmo da gongação do vestido de formatura e do bolo de chocolate!

agora, era a hora de dormir, depois de passar a noite juntos acordados, dormiríamos abraçados, como gostaria e penso todas as noites em casa, abraçando o travesseiro que você me deu de dia dos namorados... apesar do cansasso, o tesão ainda é maior e eu te quero, eu te desejo... mas você dormiu, eu te olho, te admiro! percebo o quanto está crescendo, está mundando, está amadurecendo! nunca tive uma relação assim com ninguém, fazer parte da vida assim tão profundamente, me admiro, mas tenho medo, não quero te perder, sim, sou egoísta! ainda mais e agora, cada dia conquistando um pouco mais do mundo, dorme tranquilo enquanto eu continuo noiado... mas vou te deixar em paz, a sua felicidade é a minha felicidade e se nossas vidas mostram ou nos fazem escolher dentre todas as opções, não é à toa que me preocupe, porque faz parte da minha vida, já é...


alx hoera

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