20090622

depilação

recebi por e-mail!

"Tenta sim. Vai ficar lindo." Foi assim que decidi, por livre e espontânea pressão de amigas, me render à depilação na virilha. Falaram que eu ia me sentir dez quilos mais leve. Mas acho que pentelho não pesa tanto assim. Disseram que meu namorado ia amar, que eu nunca mais ia querer outra coisa. Eu imaginava que ia doer, porque elas ao menos me avisaram que isso aconteceria. Mas não esperava que por trás disso, e bota por trás nisso, havia toda uma indústria pornô-ginecológica-estética.

- Oi, queria marcar depilação com a Penélope.
- Vai depilar o quê?
- Virilha.
- Normal ou cavada?

Parei aí. Eu lá sabia o que seria uma virilha cavada. Mas já que era pra fazer, quis fazer direito.

- Cavada mesmo.
- Amanhã, às... Deixa eu ver...13h?
- Ok. Marcado.

Chegou o dia em que perderia dez quilos. Almocei coisas leves, porque sabia lá o que me esperava, coloquei roupas bonitas, assim, pra ficar chique. Escolhi uma calcinha apresentável. E lá fui. Assim que cheguei, Penélope estava esperando. Moça alta, mulata, bonitona. Oba, vou ficar que nem ela, legal. Pediu que eu a seguisse até o local onde o ritual seria realizado. Saímos da sala de espera e logo entrei num longo corredor. De um lado a parede e do outro, várias cortinas brancas. Por trás delas ouvia gemidos, gritos, conversas. Uma mistura de Calígula com O Albergue. Já senti um frio na barriga ali mesmo, sem desabotoar nem um botão. Eis que chegamos ao nosso cantinho: uma maca, cercada de cortinas.

- Querida, pode deitar.

Tirei a calça e, timidamente, fiquei lá estirada de calcinha na maca. Mas a Penélope mal olhou pra mim. Virou de costas e fico u de frente pra uma mesinha. Ali estavam os aparelhos de tortura. Vi coisas estranhas. Uma panela, uma máquina de cortar cabelo, uma pinça. Meu Deus, era O Albergue mesmo. De repente ela vem com um barbante na mão. Fingi que era natural e sabia o que ela faria com aquilo, mas fiquei surpresa quando ela passou a cordinha pelas laterais da calcinha e a amarrou bem forte.

- Quer bem cavada?
- é... é, isso.

Penélope então deixou a calcinha tampando apenas uma fina faixa da Abigail, nome carinhoso de meu órgão, esqueci de apresentar antes.

- Os pêlos estão altos demais. Vou cortar um pouco senão vai doer mais ainda.
- Ah, sim, claro.

Claro nada, não entendia porra nenhuma do que ela fazia. Mas confiei. De repente, ela volta da mesinha de tortura com uma espátula melada de um líquido viscoso e quente (via pela fumaça).

- Pode abrir as pernas.
- Assim?
- Não, querida. Que nem borboleta, sabe? Dobra os joelhos e depois joga cada perna pra um lado.
- Arreganhada, né?

Ela riu. Que situação. E então, Pê passou a primeira camada de cera quente em minha virilha Virgem. Gostoso, quentinho, agradável. Até a hora de puxar. Foi rápido e fatal. Achei que toda a pele de meu corpo tivesse saído, que apenas minha ossada havia sobrado na maca. Não tive coragem de olhar. Achei que havia sangue jorrando até o teto. Até procurei minha bolsa com os olhos, já cogitando a possibilidade de ligar para o Samu. Tudo isso buscando me concentrar em minha expressão, para fingir que era tudo supernatural. Penélope perguntou se estava tudo bem quando me notou roxa. Eu havia esquecido de respirar. Tinha medo de que doesse mais.

- Tudo ótimo. E você?

Ela riu de novo como quem pe nsa "que garota estranha". Mas deve ter aprendido a ser simpática para manter clientes. O processo medieval continuou. A cada puxada eu tinha vontade de espancar Penélope. Lembrava de minhas amigas recomendando a depilação e imaginava que era tudo uma grande sacanagem, só pra me fazer sofrer. Todas recomendam a todos porque se cansam de sofrer sozinhas.

- Quer que tire dos lábios?
- Não, eu quero só virilha, bigode não.
- Não, querida, os lábios dela aqui ó.

Não, não, pára tudo. Depilar os tais grandes lábios? Putz, que idéia. Mas topei. Quem está na maca tem que se fuder mesmo.

- Ah, arranca aí. Faz isso valer a pena, por favor.

Não bastasse minha condição, a depiladora do lado invade o cafofinho de Penélope e dá uma conferida na Abigail.

- Olha, tá ficando linda essa depilação.
- Menina, mas tá cheio de encravado aqui. Olha de perto.

Se tivesse sobrado algum pentelhinho, ele teria balançado com a respiração das duas. Estavam bem perto dali. Cerrei os olhos e pedi que fosse um pesadelo. "Me leva daqui, Deus, me teletransporta". Só voltei à terra quando entre uns blábláblás ouvi a palavra pinça.

- Vou dar uma pinçada aqui porque ficaram um pelinhos, tá?
- Pode pinçar, tá tudo dormente mesmo, tô sentindo nada. Estava enganada. Senti cada picadinha daquela pinça filha da mãe arrancar cabelinhos resistentes da pele já dolorida. E quis matá-la. Mas mal sabia que o motivo para isso ainda estava por vir.

- Vamos ficar de lado agora?
- Hein?
- Deitar de lado pra fazer a parte cavada.

Pior não podia ficar. Obedeci à Penélope. Deitei de ladinho e fiquei esperando novas ordens.

- Segura sua bunda aqui?
- Hein?
- Essa banda aqui de cima, puxa ela pra afastar da outra banda.

Tive vontade de chorar. Eu não podia ver o que Pê via. Mas ela estava de cara para ele, o olho que nada vê. Quantos haviam visto, à luz do dia, aquela cena? Nem minha ginecologista. Quis chorar, gritar, peidar na cara dela, como se pudesse envenená-la. Fiquei pensando nela acordando à noite com um pesadelo. O marido perguntaria:

- Tudo bem, Pê?
- Sim... sonhei de novo com o cu de uma cliente.

Mas de repente fui novamente trazida para a realidade. Senti o aconchego falso da cera quente besuntando meu Twin Peaks. Não sabia se ficava com mais medo da puxada ou com vergonha da situação. Sei que ela deve ver mil cus por dia. Aliás, isso até alivia minha situação. Por que ela lembraria justamente do meu entre tantos? E aí me veio o pensamento: peraí, mas tem cabelo lá? Fui impedida de desfiar o questionamento. Pê puxou a cera. Achei que a bunda tivesse ido toda embora. Num puxão só, Pê arrancou qualquer coisa que tivesse ali. Com certeza não havia nem uma preguinha pra contar a história mais. Mordia o travesseiro e grunhia ao mesmo tempo. Sons guturais, xingamentos, preces, tudo junto.

- Vira agora do outro lado.

Porra.. por que não arrancou tudo de uma vez? Virei e segurei novamente a bandinha. E então, piora. A broaca da salinha do lado novamente abre a cortina.

- Penélope, empresta um chumaço de algodão?

Apenas uma lágrima solitária escorreu de meus olhos. Era dor demais, vergonha demais. Aquilo não fazia sentido. Estava me depilando pra quem? Ninguém ia ver o tobinha tão de perto daquele jeito. Só mesmo Penélope. E agora a vizinha inconveniente.

- Terminamos. Pode virar que vou passar maquininha.
- Máquina de quê?!
- Pra deixar ela com o pêlo baixinho, que nem campo de futebol.
- Dói?
- Dói nada.
- Tá, passa essa merda...
- Baixa a calcinha, por favor.

Foram dois segundos de choque extremo. Baixe a calcinha, como alguém fala isso sem antes pegar no peitinho? Mas o choque foi substituído por uma total redenção. Ela viu tudo, da perereca ao cu. O que seria baixar a calcinha? E essa parte não doeu mesmo, foi até bem agradável.

- Prontinha. Posso passar um talco?
- Pode, vai lá, deixa a bicha grisalha.
- Tá linda! Pode namorar muito agora.

Namorar...namorar. .. eu estava com sede de vingança. Admito que o resultado é bonito, lisinho, sedoso. Mas doía e incomodava demais. Queria matar minhas amigas. Queria virar feminista, morrer peluda, protestar contra isso. Queria fazer passeatas, criar uma lei antidepilação cavada.

Queria comprar o domínio www.preserveasbucetaspeludas.com.br...

É mulher sofre!!!

No comments:

Post a Comment

extenda-se!

tag | labels

cultural 2012 humor flagrantes da vida real brasil arte brisa link tupiniquim homem música amor profundo tech brasileiro mulher relação agora sabedoria clássico alx hoera sexo vídeo natureza hype design dica são paulo piada agentegosta vida bizarrices gay história curiosidades hit loveland auto-ajuda de bolso atualidades alex hoera lyrics tempo gringo grana vergonha alheia 2011 desenho política preconceito 80s amizade moda INSIGHT animação eco somos nozes clichê nerd 420 governo alx LISTA sp exposição ... me gusta zeitgeist festa erva saúde love art filme sustentabilidade pmsp drinks poema poesia auto-promoção árvore animais ayahuasca celebridades cultura ritual bagaceirice imagem do dia motivacional photo violência slow food água fingindo naturalidade reciclagem tv geek paz índio família old's cool sex novidade criativo humano mundo teste palavra natural televisão 350 beck polícia tecnologia cvida drama religião sincronicidade #EuSouGay drogas 350.org carnaval cinema vintage acontece movie desenhos lenda lindo photoshop rehab texto homofobia luz polêmica sensibilização tendência trampo war artistas espírito futuro music índia acessibilidade anorexia belo contato nada se leva sensacional triângulos alex fake hiep hiep hoera achado crianças incrível passado planeta relax sol 11:11 ajuda alma chico xavier francisco cândido xavier praia viagem viajar arnaldo jabor ação bacana clima colaborativo curta daniel guarda desabafo ecologia lap to dance original pensamento prefeitura ronaldo show som utilidade verde viva yoga pela paz UMAPAZ climão meio ambiente rainbow spfw terra transexual transformação urbano amigos aquecimento global beijaflor colaboração colorido danger mistura urbana peculiar projeto social quiz raul reflexão rio de janeiro rotina socioambiental teatro trendy tudo yoga 03:03 announcement arts banksy boy boy magia conexão dia mundial sem carro esporte evento gripe suína popporn popporn festival popular produção referência saudades saudável sossego teletransporte telma terremoto wikipedia ano novo ansiedade caminho casa triângulo clipe comunicação drummond dúvida educação figurinista fotografia gato larica livro menina não pode ovo poder presente puta falta de sacanagem receita sentimento sonho tenso virada cultural álcool adriana charoux aula before today blog coordenação de produção delícia desconectar para conectar dinheiro egotrip elke maravilha eu não quero voltar sozinho fato feedback filosofia baraa fofo ivan forneron katita 80 katita make lovely mar maísa moving planet museu da língua portuguesa photos por quê? porque portifolio projeção psicografia risos saudade sergio fahrer silêncio simetria sport susan boyle tattoo teatro mágico that's hot traços trilha (F) 9gag arte assume vivid astro focus (avaf) atuação bad banda uó banho bar.bar blogueiro boys bruno zanardo bêca bêca arruda cacete cartagena charoux chimarrão clarice clarice lispector colômbia combustíveis fósseis cores desespero e-mail economia ego emmanuel entrevista fetiche greve hot infantil ingredientes instituto C e A jum nakao linhas lucas corazza mailing mensagem mmm org organização palhaço party paulo leminski perdão primavera produção de figurino prostituição radio reclamação redes sociais satsang sk8 sri prem baba subprefeitura tiração de sarro toca raul tradição trip ASSEF ASSEF/SP SoundCloud acacio abreu de oliveira adalgisa morato advogado aganjú alan watts amir labaki andré cruz arena eugênio jusnet augusta avaf balada basta bebel gilberto bope brasill breja bullying butt cacetete caloi carlos saldanha carta da terra caveira censura charles baudelaire chá cinepro circo circo voador coisas de marcelle colombia confeitaria connected cosmópolis cowork coworking culinária curso database datarock decameron dia do rock direito doce dupla ebtg ellen lima energia escorpião estúdio bola estúdio fabricia miani fail faria fashion felipe dall'anese finanças floresta formação fox fox home entertainment brasil futon company gabriela brenman de azevedo galeria do rock geometric gráficos guto lacaz happy hour herbert viana hora ibirapuera idec jackson ricarte jardins jorge serrão joåo saraiva kangwaá lacuna filmes lançamento larmod latinha laura stankus leo cavallini levis br lila varo lions locomotiva lothar lothar charoux louise despont luciana nicolodi lunchbox magazine make mano mano chao maou maquiagem marcelona mariana cobra marione tomazoni masp medo mentira metrô militarismo mixwit mostra de arte pública mostraurbe máquina nextel nextu noite origami os mutantes oscar wilde ouvidoria paralapraca paris hilton parque paul alex thornton paul alexander thornton paulista pedro mendes pedro useche perdição piauí pinturas planetas plano de celular playmobil poem promoção psmp quixotes reajuste salarial reveillon revista rio - o filme rock sacanagem signo silicone simian mobile disco simpatia skate social media sopa squid studio sopa studio sp tarde telefone tennis thiago cagiano tom of finland trilha sonora tu universidade urbe vanessa ferras vestígios visíveis web wwf